quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Definitivo

"Eu faria tudo para não te perder assim,


Eu gostaria de mais um encontro apenas, num lugar onde pudéssemos ser só nós mesmos e mais ninguém. Não vou negar. Uma chance, um dia, algumas horas. Para que pudéssemos colocar o sentimento para fora, conversar de verdade, e não apenas falar. E eu te perguntaria qual é sua comida preferida e você me revelaria alguns segredos. Eu te contaria minhas teorias sobre a cor do céu e a textura da chuva. Mas será que você se interessa por essas conversas que nós teríamos?
Eu só te quero bem, menino. Bem perto de mim. Eu quero que você caiba no meu colo, melhor do que cabe no dela. E poderia seguir por onde quisesse, porque eu tentaria acompanhar e seguiria logo atrás de ti.
Então me diz, o que anda te atormentando? Ela te perguntou a causa dos olhos tristes, embora haja sorriso mentindo no seu rosto? Você disse a verdade? Ela chegou a notar que, apesar da curva forçada dos seus lábios, o seu olhar anda perdido, sem rumo, preocupado? Me conta o que está acontecendo, mesmo que seja apenas um desabafo entre dois quase estranhos e mesmo que o assunto morra aqui. Deixa eu te ajudar, e te ouvir. Deixa eu falar também. Me deixa ser importante para você, nem que for só por hoje.  Destranca essa porta, me deixa entrar e limpar um pouco da bagunça que você fez aí dentro.
Mas você não tem porque dizer algo relevante para mim. E eu entendo isso, embora não goste nada. É melhor para você continuar com esses problemas mal resolvidos do que vir até mim, e criar mais confusão. Então ignora tudo que eu pedi. Ignora esse meu momento de fraqueza, que eu já estou erguendo a guarda novamente. Finge que meus olhos te fixam com pura indiferença. Vai ser melhor assim, sempre é. Melhor você continuar sem saber o que há por trás dessa minha testa franzida ao te olhar.
Nós teríamos ótimas conversas, e longas brigas; certamente. Teríamos assuntos de sobra para discutir e seríamos sempre contrários nas opiniões, como já somos. A diferença é só que confessaríamos isso um ao outro e não deixaríamos mais a dúvida apenas pairando no ar.
Só que está amanhecendo, e cada um indo para um lado, como acontece quando chegamos a este capítulo - o último. Pode ser que seja por isso toda essa minha necessidade dos seus olhos nos meus, porque sei que a separação definitiva está perto demais. E estou cada vez mais próxima de onde termina o seu horizonte. Mas sei que não posso reagir de nenhum modo. Sei e, mesmo relutante, me conformo. Aceito mais uma vez e paro de tentar adiar isso. Agora eu apenas te deixo ir, bem diante dos meus olhos, ao alcance de minhas mãos. Deixo, definitivamente.
E, como um ultimo consolo, talvez até faça bem. Quem sabe essa distância traga paz. Não que isso vá me deixar feliz; não, não vai. É só que vai ser bom poder respirar fundo sem precisar sentir seu perfume. Vai ser saudável abrir os olhos e não te ver passeando por aí, cruzando meu caminho. 
Te deixo ir, mesmo sabendo que eu faria qualquer coisa para impedi-lo, porque eu sei que vai por vontade própria, com as próprias pernas. E só porque também sei que pode ser que seja bom, saudável e melhor - para o corpo, a alma e a mente. Mesmo que não seja para o coração.


...mas o dia vem e deixo você ir."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Toda ação gera uma reação. Eu agi, agora é vez de vocês reagirem. :)