terça-feira, 30 de novembro de 2010

Eu to tentando

Desculpa, meu menino. Eu tenho mentido para você. Eu tenho mentido para todas as vozes que insistem em perguntar se está tudo bem. Tenho sido falsa, e tenho forçado sorriso quando não quis sorrir.
Desculpa esse meu jeito estranho desses últimos tempos, não vou tentar justificar. Sei que não adianta eu mascarar isso e colocar a culpa nos problemas, na vida ou no calor insuportável que tem feito esses dias. Sei disso, porque a unica culpada sou eu. Se não quero mais ter que andar, nem rir e nem mesmo levantar da minha cama; não quero mais ter que fazer nada. Só eu mesma sou responsável por essas atitudes e não vou mais fugir dessa responsabilidade que só cabe a mim.
Sabe, me dá um tempo. Mesmo que seja pedir demais, e eu sei que é, depois do tanto que eu te deixei sozinho. Mas, me dá um tempo e acredite: eu to tentando. Espera por mim, que eu já vou chegar até onde você está.
Eu to tentando dar um jeito nisso. Tentando não deixar um relacionamento estragado afetar outro que é bom. Tentando parar de ver o lado ruim das coisas e, mais que tudo, tentando encontrar o lado bom que parece não existir.
Então só me perdoa por enquanto, que eu vou voltar a ser como devo ser. Eu vou voltar a te ajudar com seus conflitos, vou voltar a te aconselhar. Eu prometo que eu vou ser uma amiga decente de novo e vou cumprir com meu papel. Vou estar ao seu lado novamente, e vou voltar a te acompanhar nas festas.
Só me deixa colocar as coisas no lugar, para eu poder dizer que estou bem de verdade, e não precisar mentir mais. Eu sei que, durante todo esse tempo, você percebeu que havia algo estranho em mim. Percebi que você notou a falta da minha risada escandalosa, e a ausência dos meus trocadilhos idiotas. Mas eu só estou tentando consertar as coisas, menino. Estou tentando me achar e ver se paro de me perder.
Então, só diz que me perdoa e que não vai me deixar, mas vai estar esperando por mim pelo tempo que eu precisar. Porque eu sei que só preciso respirar um pouco e tirar minha cabeça de debaixo d'água. E depois que isso tudo passar, eu vou te recompensar com sorrisos verdadeiros e minhas piadas mal formuladas que você tanto gosta. Vou te abraçar com força, como já não faço a algum tempo.
E eu prometo, como a única promessa que está ao meu alcance de realizar, que estou tentando. E para isso preciso da certeza que você me entende, e da convicção que estarás aqui de braços abertos para quando eu retornar.
Então só me deixa voltar a mim mesma, para que eu possa voltar para você. Deixa, menino.
Deixa eu voltar a ser eu, para poder voltar a ser sua.

domingo, 28 de novembro de 2010

Tem muito, pouco.

O que ela tem? O que ela tem? Não tem nada que precise e tem tudo que não quer.
O que eu tenho? O que você tem? Tenho o mesmo que ela. Tem aquilo que tiver.
Tem mais rascunho do que texto pronto. Tem mais rabisco do que pintura. Tem mais melodia do que letra. Tem menos dança em mim. Tem mais música do que palavra. Tem palavra querendo sair. Tem canção tocando de dentro para fora.
Tem sentimento achando que pode acontecer. Tem problema com mania de grandeza. Tem excesso de informação. Tem falta de ambição.
Tem pó de fé querendo dissolver em água de dúvida. Tem coração querendo vingança e chorando mudanças. Tem o que não era para ter, e foi embora o que tinha. Tem pensamento sem tradução. Tem neologismo querendo dar nome à emoção.
Tem cheiro saboroso e gosto cheiroso. Tem menos metáforas e mais sinestesia. Tem mais português do que eu achava que tinha. Tem tudo que era para ter. Tem mais coerencia, tem menos sanidade. Tem nada do que poderia ter.
Tem o que tiver. Tem mais incerteza. Tem.
Tem mais intensidade. Tem mais o que? Tem mais verdade. Tem mais perguntas e menos respostas. Tem mais apostas. Tem sobra de falta. Tem falta de amor. E tem saudade.
Ela tem muito. Ela tem muito pouco.
Tem mais confusão e menos clareza. Tem menos. Menos eu. Tem menos eu dentro de mim, porque não cabe.
Porque não cabe?



Sem sentido, nexo ou razão.  Mas traduz o que eu preciso que traduza.

sábado, 27 de novembro de 2010

Minha maior saudade

Daquelas que não se esquece, e que sente uma falta absurda.


Jack que virou Banana - para completar nossa salada de frutas, comidas e animais - que virou Poste - por não cair NENHUMA vez quando tentávamos derrubá-la para fazer montinho - e que tornou-se eterna. Infinita dentro de mim, como todas as outras. Por minhas tentativas de mudar aquela cara melancólica, e esconder suas coisas. Jack que levou ovadas. Banana que levou pedalas.
Laiza que virou Lazia e agora é Lazanha, para não fugir à tradição. Laiza que traz sorriso, puro e aberto. Lazia que faz presença. Lazanha que solidifica o riso no nosso rosto, não deixa morrer.
Bianca, que desde sempre anda na minha vida. Aquela que antes era a Bianquinha, e virou Bia. E não escapou do apelido, e desde então é Cenoura. A mais certa de todas, mas que não perde a piada. A Cenoura, aquela amiga para sempre e para tudo. Dos conselhos e bafões, das provas difíceis também.
A Ana Paula, que nunca cresceu, literalmente. E ganhou o apelido de Formiga. Aninha toda dada. Impossível não rir, irresistível não apertar as bochechas. Formiga toda protegida por nós.
Ana carolina, que mudou para Libélula. As melhores notas e as piores loucuras na cabeça. Doida, maluca e responsável ao mesmo tempo. A maior e melhor contradição de todas, que trouxe gargalhadas inevitáveis.
Katia que pensou ter conseguido fugir, mas virou Katchaça. A menina loira dos olhos azuis que arrasava corações, e ainda arrasa. Katchaça do apontador rosa que fazia CLAP. Katita que também foi chamada de garanhona. Maluquinha e sem muitos neurônios, que acreditava em tudo que a Banana dizia, coitada. Mas que trouxe consigo uma luz cegante e iluminou todas nós.
E então a Flávia. Que passou por muitos apelidos e até hoje não se encaixou perfeitamente em nenhum. Porque não se descreve. Beterraba no começo, seguido de Kinder e depois Cabrita. Ela das pérolas impagáveis ( - Limoa, o que é água de réuso? - Agua de reUso, flávia, não de rÉuso.). Dos apelidos criativos. Da gargalhada certa e constante, quase fazendo perder o ar. Dos micos imensuráveis. E das lágrimas involuntárias após horas rindo sem parar. Kinder das perguntas idiotas e das respostas mais idiotas ainda(- Flávia, me empresta o Lápis de olho? - Pode ser lapiseira?). Bete da imaginação fértil e sem limite nenhum. Cabrita, que acompanhou duras caminhadas para o cursinho comigo, e que perseguia o Kariston  incessantemente para acertá-lo com alguma coisa. Flávia que escondia o estojo de todo mundo, pulava e saia fazendo montinhos inesperados. E que jogou ovo na Banana e quase infartou de tanto correr dela depois.
E todas juntas que, ao seguirem cada uma um caminho, levaram consigo uma parte de mim. Levaram uma parte do coração, dos risos escandalosos, e dos jogos de Betz. Levaram nossos jogos de volei, e uma parte significativa do meu sorriso que era tão maior antes. Elas todas que me fizeram voltar a vida depois de alguns anos vegetando, e conseguiram fazer meu coração voltar a bater decentemente. Todas juntas, que me fizeram ser quem eu sou e me aceitaram desde sempre como eu era. Vocês todas, que me matam de saudade a cada dia e me levam cada vez mais lágrimas ao olhar nossas fotos. Trazem as minhas melhores lembranças, e levam consigo meu melhor sentimento, e a memória do melhor ano da minha vida.


Elas que são minhas, para sempre. 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Empréstimo

Eu quero falar dessa vez. Confesso que cansei um pouco de só ouvir. Mas a questão é outra agora, porque não querem escutar o que eu tenho a dizer. Sei que não é nada engraçado, e nem divertido. Não é algo que se queira ouvir. Sei que quando abro a boca não saem mais minhas velhas piadas, mas, sabe, é só porque ninguém gosta delas.
Me deixa falar, mesmo que eu não use palavras concretas e coerentes, mesmo que eu se quer use palavra alguma. Porque ta me sufocando; ta subindo pelas paredes do meu pulmão e retendo meu ar, que, já faz algum tempo, não é muito. Eu pareceria menos inteligente se te contasse tudo o que eu realmente sei sobre tudo, considerando que isso nunca foi algo a se admirar? Porque eu não quero que você pense em mim como apenas mais um rostinho bonito. Não quero ser plastificada, não quero argumentar sobre assuntos que não conheço. Não pretendo criar falsas esperanças em ninguém. Por isso tenho medo que você ouça essas minhas palavras que estão querendo sair. 
Então será que, só por um instante, você poderia me emprestar seus ouvidos e me ouvir sem ter que pensar em como eu não sou tão interessante assim? Só me ouvir, sabe, sem precisar achar alguma coisa sobre o que estou dizendo. Sem ter que interpretar corretamente minhas palavras e concluir que, no fim das contas, não há nada de encantador em mim.
Desculpa se eu estou sendo egoísta. Gosto de escutar suas teorias também, gosto de dar conselhos e de poder ajudar. Mas, por favor, tem como nós invertermos os papéis só por enquanto? Porque minhas palavras estão diminuindo cada vez mais, e morrendo aos poucos. Não que falte o que dizer, mas é que falta alguém para me ouvir. E, por isso, eu vou deixando as letras pairando desordenadas a minha volta; incoerentes e insensatas.
Me desculpa, mesmo. Por pedir que você ouça minhas reclamações e enxugue minhas lágrimas. Não é justo, eu sei. Mas é que ninguém mais parece disposto a me emprestar uns minutos de atenção. 
Você apareceu em um momento ruim, e eu lamento por isso. Gostaria de te mostrar minha parte mais divertida, meu lado menos conturbado. Mas será que você acharia graça nele? Talvez eu tenha te decepcionado de vez com meus problemas mal resolvidos e meus casos sem solução.
Então, só para concluir, peço uma última coisa. Você pode me prometer que, quando e se decidir me ouvir, não vai pensar que sou fraca e sem graça? E não vai me julgar apenas tendo como ponto de partida essas minhas palavras tristes? Porque, desde que você prometa não ir embora e desde que me ouça só um pouquinho sem me ver como uma louca, então eu já estou feliz. 
E, pensando bem, se eu estiver pedindo muito de seus ouvidos, então apenas me empresta um abraço. Mas me abrace como se tudo ao nosso redor fosse se dissolver só com o poder de seus braços ao meu redor. Me abrace para sempre, com força, com vontade, como se fosse resolver todos os meus problemas. Simplesmente me abrace, e deixa esse abraço falar por mim todas essas coisas que estão presas na minha garganta e mudas em minha boca. 
Eu prometo que devolvo tudo, com juros e correção monetária.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Suporte

Você volta só para poder dizer adeus novamente. Entendo, sei como é. E não me agrada. Mas seria eu ingrata por pensar assim, de forma tão contrária. Ora, e não era meu o pedido para que a situação se resolvesse?
Pois bem, aí está. Sobre a mesa, e panos limpos; diante dos olhos. E não trouxe a satisfação que eu pensei que traria. A balança apenas equilibrou parcialmente, porque agora pende para o lado oposto de antes.
Mas já não sei mais. O necessário se fez doloroso. E o doloroso é quase tão pior que a necessidade. Talvez isso me leve ao erro, e esse seja o pecar. Porque mesmo que eu diga sim, sei que estou sendo apenas prática e agindo feito adulta. Só esqueceram de me perguntar se eu quero ser adulta, e ter que tomar decisões como essa, que definem como será o 'daqui em diante'. E eu acabo por aprender a duras penas que decidir isso sozinha não traz vantagem alguma e não resolve nada.
Então eu confesso, envergonhada até, que gostaria mesmo de um suporte. Admito que é demais para mim, e não sei se minhas costas poderiam carregar algo ainda maior mesmo que eu saiba que sempre sou capaz de ir um pouco mais além quando penso não poder ir mais.
Mas o suporte teria que ser uma solução, e não mais um problema. Teria que vir para trazer sol, e não chuva. Portanto agora eu fecho o meu zíper secreto. Lacro todas as minhas entradas. E apenas deixo estabelecer-se em mim quem me for útil de alguma forma, que seja boa e construtiva para que me ajude com esse crescimento acelerado. Alguém que não faça piorar e nem continuar como está, mas que acrescente melhorias. Mas garanto que, mesmo que não seja tudo isso, se trouxer a segurança que vem depois da tempestade e a certeza do sorriso depois das muitas lágrimas, então já está bom. E bastará.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Clássico

Diga sim Julieta. Corra o mais rápido que puder, porque vai durar tão pouco e vocês terão tão pouco tempo.
Vá e diga que o ama. Em 3 dias as coisas vão mudar de lugar, e o navio mudará seu curso. Se o ama, e é ele quem você quer, então corra e voe para os braços que te esperam do outro lado do portão, para a voz que te chama logo abaixo da sacada.
Vá Romeu, pegue-a pela mão e leve-a para onde o céu toca o chão. Carregue-a nos olhos, e mostre as estrelas enquanto ainda há tempo. Mas sempre haverá tempo. Porque você sempre a amará.
Mas, mesmo assim, corra, e vá atrás do por-do-sol mais bonito, e chame-o de Julieta por ser tão espetacular. Assim como ela chama a lua de Romeu por serem ambos tão deslumbrantes.
Leve o amor na bagagem, as boas lembranças no coração e a saudade na memória.
E vocês viverão eternamente esses poucos dias. E amarão para sempre um ao outro até o veneno penetrar suas veias. Mas ninguém soube que, um dia, Romeu voltou em outro corpo, e disse que ainda deseja todo dia a mesma mulher. Disse que viajou a prazo pro inferno só por ela. E aceitou a vida como é.
Enquanto Julieta, perdida em outra geração, alegou que mudaria até mesmo seu nome, e viveria em greve de fome, por Romeu.
Mas quem diria que, um dia, seria clássica a então trágica história de um amor curto e mortal? Clássico porque tudo vira poesia, e até o mais doloroso dos últimos suspiros tornam-se belos diante dos olhos cegos do homem. Clássico por ser triste, dramático e trágico.
E depois dizem que o ser humano é racional.




Escrevi o que me veio a cabeça, e eu sei que está tudo jogado de qualquer jeito. Ignorem.

domingo, 14 de novembro de 2010

Saudade

E, no fim das contas, é a saudade que ganha. Mesmo que você lute contra ela, e assuma o lado oposto; o lado do amor e das boas lembranças.
Ela, ainda assim, vence. Ultrapassa o amor, a amizade e o companheirismo. Atropela tudo; passa em cima das memórias e dos sorrisos. Porque ela sempre vai ser maior que tudo junto, somado e multiplicado. A saudade vai sobrar, quando o resto estiver indo embora; vai sentar e ficar para sempre enquanto os outros sentimentos vão se desgastar lentamente até sumir de vez. Vai a amizade, o carinho, o afeto, e, por ultimo, o amor. A saudade fica, presa e lacrada, no mesmo lugar. E aumenta, a cada dia, a cada minuto e a cada rápida olhada no relógio. Aumenta, fria e imperdoável, ocupando o lugar de todo o resto que habitava dentro de você, e cresce até não caber mais; até preencher todo o espaço e acabar por deixar transbordar pelos olhos aquilo que, antes, fazia parte do coração.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Presa

Eu sei que, daqui a algum pouco tempo, cada um irá seguir seu caminho. Eu sei que nada é eterno, por mais que o 'para sempre' esteja constantemente enfeitando as frases que dizemos e escrevemos uns aos outros. Eu sei, como a única certeza da vida, que eu vou continuar aqui e assim esperando ao lado do telefone por um toque que me diga que vocês também se lembram dos dias felizes. Eu sei, mas não gosto de saber.
Preferia não saber que, a grande maioria, vai guardar as fotos boas numa caixa e colocar em cima do armário até que um dia, talvez, seus filhos questionem sobre como era a adolescencia 'naquele tempo'.
Então, a nostalgia vai surgir nos corações, mas vai acabar como um sorriso de gratidão pela época vivida e com a caixa no maleiro, de novo. É, eu sei que esse é o ciclo natural das coisas e que, assim como todos os outros, eu deveria simplesmente me conformar.
Eu queria ser assim também, e pensar que bastou os anos que passamos. Mas não consigo. Talvez seja essa minha dificuldade em aceitar mudanças ou talvez seja ainda por estar tão adaptada a elas e saber o quanto estas ferem que eu não quero que ocorram. A verdade é que eu não sei dizer adeus, não sei seguir em frente. Permaneço presa e acorrentada a tudo aquilo que me fez ser feliz além das expectativas.
Detesto ter que admitir que as minhas fotos ficarão espalhadas pela cama enquanto eu estarei me afogando no passado que era tão melhor. E eu sei que é assim vai acontecer, porque o presente nunca é tão bom quanto o que passou.
E eu tenho certeza de como isso vai terminar. Assim como foi das outras vezes, eu vou ligar, correr atrás e tentar continuar o mesmo relacionamento que tínhamos antes, mas eu sei que chegará um tempo em que ninguém se incomodará mais em dar continuidade. Todos colocarão um ponto final e passarão para o próximo capítulo de suas vidas - exatamente como deve ser - enquanto eu ficarei presa às ultimas linhas, como quando não queremos que o livro acabe. Porque mesmo que a vida continue e siga o rumo que tem que seguir, eu sempre vou arrumar uma desculpa para poder lembrar dos tantos rostos que estiveram comigo. Sempre vou vasculhar minha memória atrás das nossas piadas, músicas e colas. E nunca vou deixar de me arrepender por não ter lhes dito, cada minuto que passei com vocês, o quanto significavam.
E, talvez por isso, a saudade chegou antecipada, antes mesmo do fim do ano, só para me matar um pouquinho mais a cada dia e me ensinar a não desperdiçar o pouco tempo que ainda nos resta. Só para avisar que o para sempre sempre acaba e que o fim está logo ali, virando a próxima esquina.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Definitivo

"Eu faria tudo para não te perder assim,


Eu gostaria de mais um encontro apenas, num lugar onde pudéssemos ser só nós mesmos e mais ninguém. Não vou negar. Uma chance, um dia, algumas horas. Para que pudéssemos colocar o sentimento para fora, conversar de verdade, e não apenas falar. E eu te perguntaria qual é sua comida preferida e você me revelaria alguns segredos. Eu te contaria minhas teorias sobre a cor do céu e a textura da chuva. Mas será que você se interessa por essas conversas que nós teríamos?
Eu só te quero bem, menino. Bem perto de mim. Eu quero que você caiba no meu colo, melhor do que cabe no dela. E poderia seguir por onde quisesse, porque eu tentaria acompanhar e seguiria logo atrás de ti.
Então me diz, o que anda te atormentando? Ela te perguntou a causa dos olhos tristes, embora haja sorriso mentindo no seu rosto? Você disse a verdade? Ela chegou a notar que, apesar da curva forçada dos seus lábios, o seu olhar anda perdido, sem rumo, preocupado? Me conta o que está acontecendo, mesmo que seja apenas um desabafo entre dois quase estranhos e mesmo que o assunto morra aqui. Deixa eu te ajudar, e te ouvir. Deixa eu falar também. Me deixa ser importante para você, nem que for só por hoje.  Destranca essa porta, me deixa entrar e limpar um pouco da bagunça que você fez aí dentro.
Mas você não tem porque dizer algo relevante para mim. E eu entendo isso, embora não goste nada. É melhor para você continuar com esses problemas mal resolvidos do que vir até mim, e criar mais confusão. Então ignora tudo que eu pedi. Ignora esse meu momento de fraqueza, que eu já estou erguendo a guarda novamente. Finge que meus olhos te fixam com pura indiferença. Vai ser melhor assim, sempre é. Melhor você continuar sem saber o que há por trás dessa minha testa franzida ao te olhar.
Nós teríamos ótimas conversas, e longas brigas; certamente. Teríamos assuntos de sobra para discutir e seríamos sempre contrários nas opiniões, como já somos. A diferença é só que confessaríamos isso um ao outro e não deixaríamos mais a dúvida apenas pairando no ar.
Só que está amanhecendo, e cada um indo para um lado, como acontece quando chegamos a este capítulo - o último. Pode ser que seja por isso toda essa minha necessidade dos seus olhos nos meus, porque sei que a separação definitiva está perto demais. E estou cada vez mais próxima de onde termina o seu horizonte. Mas sei que não posso reagir de nenhum modo. Sei e, mesmo relutante, me conformo. Aceito mais uma vez e paro de tentar adiar isso. Agora eu apenas te deixo ir, bem diante dos meus olhos, ao alcance de minhas mãos. Deixo, definitivamente.
E, como um ultimo consolo, talvez até faça bem. Quem sabe essa distância traga paz. Não que isso vá me deixar feliz; não, não vai. É só que vai ser bom poder respirar fundo sem precisar sentir seu perfume. Vai ser saudável abrir os olhos e não te ver passeando por aí, cruzando meu caminho. 
Te deixo ir, mesmo sabendo que eu faria qualquer coisa para impedi-lo, porque eu sei que vai por vontade própria, com as próprias pernas. E só porque também sei que pode ser que seja bom, saudável e melhor - para o corpo, a alma e a mente. Mesmo que não seja para o coração.


...mas o dia vem e deixo você ir."

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Obrigada

Eu não te trago flores, porque elas murcham. Não falo nada, porque você não pode mais me ouvir. E não venho uma vez ao ano, porque não vejo motivo. Estou aqui agora por livre e espontânea pressão e nada além disso.
Converso agora com uma placa, e sei que é apenas uma placa. Mesmo que, secretamente, eu permita-me acreditar que você está ao meu lado, passando seus dedos macios pelo meu cabelo. Ainda que, de vez em quando, eu finja que é verdade o que dizem. Finja que você me ouve e que me acompanha aonde quer que eu vá. Finja que suas mãos estão nas minhas.
Só que eu olho ao redor e não vejo nada além de obrigação. Eles todos vêm 'te ver', porque é dia de fazer isso. É dia de ver a placa com seu nome, e nada mais. É o mês em que temos o costume de acender umas poucas velas e deixar uma flor qualquer só para poder dormir a noite com a certeza de missão cumprida.
Ninguém faz porque se importa, ou por algum motivo especial. Apenas faz porque tem que fazer; faz para mostrar ao mundo que fez sua parte.
E, pensando bem, eu mesma nunca quis vir até aqui. E continuo não querendo. Porque não vejo sua presença em nenhum lugar deste jardim, e sei que não vou ver nunca mais. Mesmo que eu tente acreditar na sua existência sobrenatural, não consigo porque tenho plena consciência de que ela não existe. Não sei o que faço aqui, parada ao lado de um quadro de nomes pregado na grama. Não sei porque tenho que vir e fingir que você está feliz por eu ter vindo, sendo que não gosto dessa farsa.
Afinal, o que eles esperam que eu diga? O que querem que eu faça? Mesmo que eu grite seu nome e ainda que lágrimas escorram por minha face, nada vai mudar; nada disso trará de volta. E será, mais uma vez, tudo em vão.
Então me desculpe, mas eu não quero voltar a este lugar. Não quero ter que ver os mesmo cravos que te levaram embora e sentir esse cheiro repulsivo se não for por uma causa justa.
Porque eu não gosto nada desse jeito como as pessoas agem agora, como se se importassem.
Então eu só deixo registrado o óbvio, para não perder o costume e na remota esperança de que, um dia, você tome nota disso. Digo que sinto sua falta com a mesma intensidade que senti no primeiro dia. Digo que o seu espaço ainda está vivo dentro de mim; você ainda existe e respira dentro do meu coração. E deixo um sorriso forçado, não porque acredito que você o está vendo, mas porque sei que gostaria de vê-lo estampado em meu rosto se estivesses aqui.
E essa é e sempre será a única razão para que eu não reaja quando for obrigada a voltar aqui.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Deixa

Deixa, porque eu deixo. Beija, porque eu não ligo.
Deixa as coisas fluírem, porque eu perdi o medo. Eu perdi a razão e os motivos, e danem-se eles.
Me pega pela mão e não precisa de palavras quando temos as estrelas para falar por nós. Finge que não tem amanhã, e vem viver o agora comigo.
Me deixa olhar nos seus olhos e te sorrir um pouco, porque não faz mal.
E não me pergunte mais porque, venha e me leve para onde possamos ser apenas dois perdidos.
Não vou te dar razões, não tenho motivos. Venha, porque eu quero que você venha. E corresponda ao arrepio dos meus braços descobertos.
Embora você não saiba o que dizer, eu não estou me importado com nada esta noite. Mesmo que não haja tempo suficiente, nós sabemos que nunca vai haver, e eu sempre vou querer só mais um pouquinho de você. Então deixa ser. Porque eu me permito. Não pense muito no que vai acontecer, e deixa apenas tudo caminhar.
Não quero pensar no que pode ser quebrado pela manhã; eles sempre encontrarão uma forma de falar.
E a areia está tão convidativa. Não precisa de razão para nós apenas ficarmos bem hoje. Você também quer que eu vá até aí e te impeça de ir embora? eu vou. Não faça juras de amor, porque não vamos prometer nada esta noite. Só fique aqui comigo e não tire seus olhos de mim. Nunca tire seus olhos de mim hoje. E deixa, que o resto se resolve sozinho.
Eu só te quero livre aqui, como você me quer também. E já dizia a Marisa, como o tempo vai e o vento vem.




"Me dá um beijo então, aperta a minha mão.
Tolice é viver a vida assim, sem aventura.
Deixa ser, pelo coração..
Se é loucura então melhor não ter razão."

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

30/10/2010 - 31/10/2010

para Mari, Lary e Gabi.


Então vocês apareceram na minha vida, e no começo eu achava que não me encaixava; que ao lado de vocês não era o meu lugar. Porque, parando para pensar, somos todas tão diferentes. Mas de repente, antes que eu pudesse me dar conta, vocês já estavam tão fixadas dentro de mim que não havia mais como impedir isso. Aos poucos eu fui absorvendo um pouquinho de cada uma, e hoje estão as três coladas no meu coração. Porque é tão fácil gostar de vocês, que chega a ser absurda a idéia de alguém não gostar.
Eu cheguei até a contar coisas que não contei para mais ninguém, deixei-as entrar no meu mundo particular por vontade própria. Porque eu queria e quero que vocês saibam sobre mim e sobre a maneira como eu penso. Eu descobri que as quero na minha vida, para contar segredos ou discutir cortes de cabelo. Quero as três não só como amigas, mas como melhores amigas. Quero contar e dividir minha coisas com vocês, como nunca pensei que poderia. E mesmo que sejamos mesmo diferentes - e somos -, mesmo que algumas votem no Serra e outras na Dilma, mesmo que as nossas roupas não sejam nada parecidas, ainda assim, é exatamente dessa forma que eu amo vocês.
A Gabi com o necessário, que faz bem, leve como uma brisa dessas fresquinhas, suave; que vem para levar embora o excesso, para não deixar transbordar. A Lary com seu embalo e seu furacão que contagia, pega e entra dentro da alma, que vem para trazer gargalhada e para soltar o que você passa o tempo todo reprimindo. A Mari que vem solta, com sorriso de primavera, e um jeito cantado de Nando reis; que vem para deixar as coisas fáceis, descomplicadas e calmas.
E as três, que vêm juntas, como um pacote, para completar tudo aquilo que falta em mim. Para ocupar o espaço vazio que eu não sei preencher. As três que vem para fazer bem e, inconscientemente, levar embora as mágoas escondidas.
Por isso é tão injusta a maneira como, logo agora que eu me dei conta da forma como as quero perto de mim, a vida vai tirá-las de meu caminho. Como se estivesse apenas esperando eu amar vocês e me apegar a nós todas juntas e nossas risadas, para então vir a idade e o tempo e levá-las embora. Mas não quero pensar nisso, porque me dói só de cogitar a possibilidade de tomarmos estradas diferentes.
Então, antes que seja tarde, eu quero que saibam que existem coisas que ninguém nos tira. Podem tirar nosso dinheiro, as pessoas que amamos e até podem tirar nossa vida; mas o amor que habita dentro de cada um, não morre, não acaba e não muda; as memórias e lembranças que eu vou levar das nossas conversas e desabafos vão ficar gravadas como tatuagens. E por mais que diversas pessoas digam isso, por mais clichê que possa soar, eu quero que saibam que não há memória que o mundo possa apagar. Porque elas estão gravadas no coração, e não na cabeça.
Eu amo vocês, mesmo que não pareça e mesmo que vocês não sintam o mesmo, não importa. Eu amo.
Amo, amo, amo. Amo a maneira como fazem parte do grupo de pessoas mais importantes da minha vida. E amo como sempre farão parte esse grupo. E por mais que eu fale, e grite tudo que eu amo em vocês, ainda não seria o suficiente; ainda não faria justiça. Porque nem se eu passasse a vida inteira escrevendo, não conseguiria colocar a beleza de cada uma de vocês em palavras. Não poderia dizer como vocês são tão melhores que eu, e ainda assim permanecem por perto, mesmo quando eu falo besteira ou pareço uma idiota. Só o fato de vocês continuarem aqui, já basta por todo o resto.


"Olhem para as estrelas. Vejam como elas brilham para vocês; para tudo que vocês fazem."