segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mas passa

Não esconda mais essas suas lágrimas, menina. Chora, arranca com as unhas; põe para fora. Rasga o pedacinho que ficou grudado; tira tudo que ainda resta. Ninguém nunca disse que seria fácil, mas também nunca te disseram que era tão difícil assim. Eu sei, pequena. Mas não se pode levar nada ao pé da letra.
Sei que as palavras parecem vãs agora; ilusórias e impossíveis. Mas passa; passa sim. Você sabe disso. Demora, dilacera, sangra até quase não haver mais sangue. Tudo isso só para você ver que, no fim das contas, não era nada demais. Hoje ainda dói, e amanhã vai doer mais ainda. Semana que vem vai corroer, e nos próximos meses vai queimar numa brasa que parece infinita. Mas, quando acordar pela manhã, verá que deixou de existir essa parte que doía em você, e a vida vai seguir como sempre foi.
Pode ser que as memórias ainda machuquem um pouco, e o incomodozinho no estômago volte de vez em quando, mas vai passar também. Da mesma forma que passou quando seu primeiro amor mudou de escola. Como quando você cortou o joelho e achou que nunca mais iria parar de arder, e parou.
Não vai ser para sempre, não, não vai. Dói agora, sufoca e faz mal, mas não mata. E talvez você pense que a morte seja até melhor; menos dolorosa. Só que não é. Porque a vida passa, mas a morte fica empacada na mesma dor para o resto da eternidade.
Passa a vida, assim como o tempo, as estações, a idade. Passa a dor também, mesmo que não dê indícios de que vai passar.
Mesmo que, por enquanto, seja infinito.
Machuca, faz chorar, faz gritar e quebra teu coração em pedaços menores que areia, eu sei, acredite.
Mas, ainda assim, passa.

Um comentário:

  1. chorei com esse texto, tudo que eu precisava ler agora nesse momento era isso.

    e voce escreve muito bem menina!

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