sábado, 25 de setembro de 2010

Suficiente; sem transbordar

O que há de errado com a garota? É o que todos se perguntam, mas nem ela mesma tem a resposta. Se coloca numa garoa fina sem medo de molhar os cabelos volumosos e permite o sol no rosto sabendo que ele derrete o lápis em seus olhos.
Há uma razão para que ninguém a veja com simpatia. É só que ela não faz parte da conhecida massa das meninas legais e bonitas. Não que seja feia, é só a falta de um cabelo loiro escorrido, um par de olhos claros e um sorriso falso de garota fácil. Porque ela gosta da verdade estampada, dita e ouvida. Não ri porque convém, mas porque sente vontade; mesmo que muitos afirmem fazer isso, ela realmente faz. Por isso, já se perguntaram porque ela não é simplesmente normal; porque não pode ser apenas amigável.
Mas ela é. Talvez do jeito dela, e da maneira como acha certa. Mas é. Ainda assim, não deixa de ser.
E, quem sabe, não haja mesmo motivos para esses olhares intrigados que zombam dela. Quem sabe, não haja nada de errado com a menina. Ela só é um pouco desastrada e desprovida de freios. Com uma risada feia e estridente, não encanta. Mas será que alguém já tentou questioná-la sobre o cheiro bom da chuva? Ou sobre a textura do queijo em sua lingua? Alguém já pensou em desvendar o mistério de todo esse medo em se aproximar dela? Ninguém tentou ouvir as respostas fabulosas que se formam na mente da menina.
No fundo, ela sabe que poderiam gostar de seu jeito, se tivessem a oportunidade de conhecê-lo. Mas não entende a dificuldade em soltar as palavras quando a vêem. Não morde, não acha ruim. Gosta, até. Das novas pessoas. E da simplicidade disso tudo.
Pode ser que a crítica a afaste do restante do mundo, mas não é maldade. É só um dos muitos ângulos a se observar. E pode ter certeza que ela percebe todos. Mesmo que só comente alguns.
Qual é a maldade com que a vestem? Ninguém percebe que, por trás do rosto pouco receptível, só há vontade de risos reais? Ela quer que alguém sorria um pouco ao olhá-la nos olhos, só por sorrir, como quem diz 'Bom dia'. E é tão dificil. As vezes, cansa ver tantas caras fechadas. Cansa que ninguém a veja como é, e goste do que vê.
Então porque não vêem nem as estrelas que a seguem? Talvez não seja grande coisa mas, ainda assim, é luz. Não treva, como pensam. E agora que ela está descobrindo isso, quer que os outros ao redor descubram também, mesmo que ninguém pareça disposto.
Pode ser que seja tolice dela, mas é só que demorou para chegar até aqui. Demorou para ela entender que poderia ser estrela também. Não as brancas bonitas mas, quem sabe, as amarelas. Talvez, não seja a guia também, mas alguém para quem se leva flores sem precisar; sem exigir. Pode ser que não sejam rosas, mesmo que haja vontade delas. Tulipas ou copos de leite. Porque não há exclusividades aparentes nela. Sem extravagancias ou especialidades. Sem acréscimos. E as caras amarradas para ela confirmam isso.
Mas sabe sorrir; sim, ela sabe. Mesmo que só o faça quando sente vontade. E isso deveria bastar. Porque a menina sabe também que só é bom o bastante quando é de verdade, mesmo que só ela pense assim. Então, quem sabe, baste também que seja amarela. Que não seja tulipa e que faça igual a tantas outras no mundo.
Pelo visto, basta que ela seja ela. Mesmo que isso implique em não sair da média, do morno. Mesmo que isso não a agrade. É suficiente e, por isso mesmo, não há nada de errado; nada excessivo.
Apenas basta, mesmo que não baste para o resto do mundo.

Um comentário:

  1. "Ela quer que alguém sorria um pouco ao olhá-la nos olhos, só por sorrir, como quem diz 'Bom dia'. E é tão dificil."
    Nem me fale....todas essas caras fechadas cansam mesmo.As vezes um só sorriso é capaz de mudar um dia,um mês,um ano inteiro.

    PS:Também nunca comento e estou sempre zanzando por aqui,adoro seus textos *-*

    =*

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