segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sem paciência

Olhando ao redor, eu vejo tantos olhares superiores que quase esqueço meu tamanho real. Tenho vontade de lhes dizer que não há graça nisso. Não há particularidade nenhuma no modo como agem. Não é mistério, meus caros. Nem charme.
É só o achar que estão arrasando. A auto descrição pouco diz sobre a própria pessoa, isso é, quando diz alguma coisa. Admitam, não há absolutamente nada de extraordinário no modo como andam ou vestem-se.
Eu tenho vontade de gritar para que me ouçam. Dizer que não se iludam com vocês mesmos e que parem de descrever o que queriam ser, quando sabem que ningém é capaz de se descrever com exatidão.
Não pensem que são misteriosos e que isso é charmoso. Ninguém é tão misterioso quanto pensa, e charme é saber cativar só com o sorriso, sem precisar do batom, ou com o olhar, sem ter que usar quilos de delineador. Charme é a beleza implícita, sem ter que simplesmente tirar a blusa.
E mistério, oras. Não é o mistério que seduz, que atrai. Porque não há quem goste de um caso arquivado; não solucionado.
Só há o brilho; aquele que exala sem precisar de fragrância; que brilha sem usar purpurina.
No final das contas, temos apenas o dissernimento. Queremos entender todos a nossa volta, e não queremos ser compreendidos. Como se fosse bonito ou divertido ser o desconhecido. Talvez seja apenas uma forma de proteção, mas não acredito que outros vêem dessa forma, mesmo sendo a mais sensata. Porque, na realidade, quanto mais vocês se exibem, mais querem se proteger. Quanto mais palavras bonitas usam no orkut, menos se identificam com elas. Porque o propósito disso é apenas parecer bom o bastante e não apresentar o que, na verdade, é o essencial. E isso não é vergonha. Não é vergonha querer ser aceito nessa sociedade hipócrita, nem é surpresa o fato de algumas pessoas quererem ser e aparentar o que não são.
É só que.. me irrita.

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