quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Aqui e agora

Todos as janelas do carro abertas espalham o vento pelo meu rosto. Bagunçando meu cabelo e correndo por minha pele. Escorregando e assoviando pelo vidro.
E o por do sol me diz que esse é um dia bom. Daqueles que não se joga fora; se aproveita, saboreia, agradece.
A consciencia do mesmo mundo de sempre está lá, mas não me afeta. Porque a vida aqui está bonita demais para eu querer explicações. E eu resolvi que posso deixar o restante para depois.
 Agora eu só consigo focalizar um violão sendo tocado dançando, com um som animado que eu não sabia que o violino poderia fazer e uma voz macia.
Então é confortável; macio e agressivo ao mesmo tempo. Uma paz divertida que toma conta de mim sem que alguém mais perceba. Junto com a velocidade do carro, os pensamentos correm desordenados na euforia da alegria momentânea que me invade. Lembranças de um tempo bom, e a certeza de que esse agora vai marcar também. E eu vou recordá-lo quando quiser imaginar um dia feliz. Vou lembrar da música embalante e do som da cachoeira. Do barulho bom do pneu do carro rolando sobre as pedras.
Talvez eu esteja naquela fase de quase dormência e não haja um raciocíneo lógico para essa sensação agrádavel dentro de mim, mas não me importo. Mesmo que as palavras possam parecer confusas a quem as lê. É só bom demais para descrever. Não tem uma forma sólida ou tocável. É distante, mas está bem aqui dentro de mim, exalando uma certeza desconhecida da felicidade, mesmo que não seja constante e não se perpetue. Ainda assim, me faz feliz aqui e agora.
Porque, pensando bem, eu não estou me importando o suficiente com o tempo que isso vai durar. Só quero minha cabeça bem leve no banco de trás do carro, enquanto meu dedos deslizam no vento, flutuando na forma de onda pela janela aberta. Só essa música que eu não sei cantar e o sorriso espontâneo que eu sinto estar preso em meus lábios. Só isso já está bom. Bom o bastante por hoje, e para sempre.

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