terça-feira, 31 de agosto de 2010

Por favor

As lágrimas querem cair outra vez mas não conseguem, como se faltasse um fator principal para que isso acontecesse. Antes era algo rotineiro, até que um dia, enfim, eu consegui detê-las, mas estou achando que é pior. Porque elas começam a se acumular como um prêmio de mega sena. E me pergunto quem será o "sortudo" que fará aquilo que ainda está faltando para que a represa se abra. Essa água salgada tem me ameaçado durante esse tempo que eu a contive, e talvez por isso ela resolveu então vingar-se de mim.
E escorreu por dentro. Escorreu suas primeiras gotas ferventes, queimando-me aos poucos. E então deixou-se cair fria como gelo, fazendo com que eu ficasse assim; meio adormecida, meio anestesiada. Derramou seu balde que já vinha querendo transbordar, silenciosamente. De forma invisível, porem intensa. E eu descobri que quero que essas lágrimas traiçoeiras caiam de verdade sobre minhas bochechas sem cor. Descobri que dói muito mais quando choramos por dentro, sem deixar o mundo ver que não somos tão fortes quanto aparentamos, do que quando permitimos a abertura da fonte. Percebi que prefiro a forma explícita, aberta, descoberta.
Por isso e portanto, eu quero chorar, e digo isso pela primeira vez na minha vida. Quero colocar para fora, deixar escorrer junto com as lágrimas, toda essa dor que me mata e me polui o ar.
E foi assim, tentando ser forte, que eu aprendi que não se pode guardar tudo numa caixa, porque não cabe. Estou aqui esperando os olhos vermelhos e úmidos, a boca inclinada para baixo e o soluços secos. O nó.
Esperando uma mão para desgrudar esses poucos fios de cabelo que ficarão presos às lágrimas. Uma mão a qual o dono dela não me faça perguntas. Porque eu não sei o motivo real dessa agonia toda. Não há apenas uma razão. É um conjunto de fatores que eu guardei durante muito tempo. Tempo demais. Foram palavras cuspidas e estúpidas, acontecimentos tristes e cada vez mais decadentes.
Então, sentada torta no meu desconforto habitual, eu sinto as famosas gotas com sal dentro de mim, perdidas em algum canto. Eu sinto, e eu quase consigo tocá-las de tão fixadas que estão. Cada uma com seu motivo, sua razão de existir. Mesmo sem muitas esperanças pelas diversas vezes em que pedi e não fui atendida, eu peço novamente com toda a força de vontade restante, para que elas caiam de vez, e levem embora toda a sujeira que se juntou nesses ultimos tempos, enquanto estiveram ausentes.
Peço e imploro, por favor lágrimas, caiam. Como uma enxurrada. Encharcando meu rosto e lavando minha alma. Limpando meus olhos desse resto de lápis de ontem. Apensar transbordem como faziam antes, tão frequentemente.

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