sábado, 28 de agosto de 2010

Falta

Eu posso pedir um tempo? Será que eu posso pedir menos brigas, menos gritos e menos raiva? Eu posso pedir menos octanagem que não explode com apenas uma faísca? Eu posso pedir menos decepções com promesas falsas? E até mesmo menos promessas feitas sem a inteção de serem cumpridas, como um cheque sem fundo? Menos unhas roídas também me deixaria feliz.
Porque eu não sou tão exigente e não estou pedindo mais roupas, mais cartões de crédito ou mais gloss na minha boca. É só um desejo desesperado de uma mente afetada. Um coração atingido e não cicatrizado. Não peço mais palavras, apenas menos complicações na hora de escolher uma que se adeque ao sentimento certo. E porque não pode? Me frustra, me decepciona, empobrece meu vocabulário. Será que nem por isso tudo eu tenho direito a uma bandeira branca? Menos guerras e mais soluções? Uma trégua talvez? Será que um dia teremos 24 horas normais? Sem interrupções para brigas, gritos ou lágrimas. Sem mortes, cravos ou espinhos. Sem adicionais?
Tempo, juiz! Tempo. Só para eu poder respirar regularmente de novo. Fizeram uma falta que o senhor não marcou porque não viu; não é visível. Um penalt que me fez rolar pela grama. Olhos não acompanharam e ouvidos não estão aguçados o bastante para entenderem. Ainda assim, não deixou de ser uma falta; e como dizem, essa é a morte da esperança.
Não exijo o extraordinário, apenas o simples e confortável já está bom. Porque, no fim das contas, as lágrimas que rolam são minhas enquanto a guerra ainda nem chegou. E eu já estou cansada de sofrer por antecedência. Sofrer pela certeza de que amanhã será igual, ou pior.
Vamos lá, juiz. Cartão vermelho. Não foi sem intenção, foi proposital.
Foi falta.
Falta de amor suficiente para cessar essa fonte de esgoto. Falta de esperança e excesso da morte dela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Toda ação gera uma reação. Eu agi, agora é vez de vocês reagirem. :)