domingo, 18 de julho de 2010

Fútil

Eu comecei o dia assim: eu vou sair, preciso de uma roupa.
Lá estava eu mais uma vez, parada em frente ao meu velho e tão surrado guarda-roupa, com um toalha enrolada nos meus cabelos encharcados e um camisetão desbotado.
Onde vocês foram parar saias decentes? E por que raios as minhas calças fugiram?
Roí toda a minha unha e a culpa é inteiramente de vocês. Arranquei meu esmalte cor-de-vermelho-sangue e estou prestes a passar a tesoura no meu cabelo. Deveria ser proibido ter menos de 4 calças jeans, duas para escola, trabalho e afins e duas para sair. Pior ainda, deveria haver um decreto dizendo que toda mulher TEM que fazer compras pelo menos uma vez a cada 3 meses. Eu digo só mulher porque homem normalmente fica feliz se tiver só um bermudão pra colocar.
Detesto essa falta de alguma coisa nas minhas gavetas. Detesto quando parece que tem um peça essencial faltando, tanto em você quanto no seu armário. É um saco. E me deixa revoltada.
E essas peças alheias que insistem em gritar? EU NÃO VOU COLOCÁ-LAS.
Eu não tô pra nenhuma de vocês hoje. Não estou para amarelo e nem vermelho, e porque só tem preto para vestir?
Então, essa saia fica feia com todas as blusas existentes no meu guarda-roupa, e essa blusa ótima não combina com nada. Até mesmo aquela camiseta bonita agora parece não gostar mais de mim, e insiste em me deixar gorda. A minha calça preferida está para lavar e o meu vestido já foi pro shopping sem mim, porque ele conhece o caminho inteiro de cor e salteado. Mas que droga.
E é chegado o momento da crise de nervos, depois vem a crise de identidade, a crise de 'nada fica bom em mim', a crise de 'não tenho roupa', a crise de 'estou gorda'  e segue sucessivamente assim até chegar na crise existencial.
Então os sentimentos tornam-se sucessivos também. Primeiro a dúvida entre essa combinação ou aquela, seguida pela raiva de naõ ter gostado de nenhuma, sucedida por 'eu vou esmurrar a parede se não achar aquele top branco', depois a tristeza, então a decepção e enfim a desistência.
Sento, grito com a cara enfiada no travesseiro, abraço meu urso de pelúcia e escondo minha cara embaixo do edredon.
E depois, vem aquele sentimento auto-crítico. Quando foi que eu me tornei tão fútil e seletiva com minhas roupas? Por que não posso simplesmente colocar uma camiseta, um jeans velho e meu all star sujo?
Porque não! Eu-tenho-que-encontrar-uma-roupa-DECENTE-para-sair.
Estou definitivamente frustrada comigo e com tudo que eu visto.
7:45. Tenho que estar pronta as oito em ponto.
Não tenho roupa, estou gorda, meu esmalte está descascado, minhas unhas estão roídas e meu cabelo está um fiasco total. Minha cabeça dói e eu me sinto podre por dentro.
Quer saber? Não vou sair pra droga nenhuma de lugar. 
 
* Corre para o chocolate e depois se desmancha em lágrimas por ter se empanturrado de puras calorias, entra debaixo do cobertor e dorme. :z

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