sábado, 31 de julho de 2010

Auto-fuga

Por vezes, eu disfarcei e retomei meu caminho, mas ultimamente tem sido inevitável e eu permaneço em pedaços fragmentados. Estou me perdendo de vez, e tenho medo que isso aconteça de forma plena. Estou perdendo minha calma, e meus olhos atentos já não estão capturando mais as cenas importantes. Olhando uma tabela de cores, já não soube destinguir minha preferida, não que um dia eu tenha preferido apenas uma mas, ainda assim, hoje em dia não sei dizer nem qual é a que mais gosto. Não é a primeira vez, mas é a mais longa; e parece que não vai acabar nunca. Não reconheço esses olhos castanhos que me fitam através do espelho, e perdi até meus sabores preferidos, minhas roupas mais bonitas, minhas músicas antigamente mais ouvidas.
Parece que falta uma essência, uma alma, uma característica singular. Eu perdi meu eu, e quero encontrá-lo novamente, só que não sei como e nem onde procurar. Há algo estranho nisso, como se habitasse um ser diferente dentro desse corpo; como se eu fosse a hospedeira de um parasita que me suga aos pouquinhos, deixando-me sem mim. Tornando-me um robô sem anormalidades ou defeitos, sem erros a serem corrigídos. Um livro aberto, porém com páginas em branco. A arte abstrata de um quadro moderno.
Então só me restou um desejo ainda humano. Eu quero a chuva molhando meus poros e borrando minha maquiagem mecânica. Encharcando meus cabelos intactos e pingando sobre meu sapato aveludado. O toque de uma mão quente percorrendo meus braços insensíveis. Anseio por uma palavra macia e por um abraço cheiroso que faça meu coração voltar a bater decentemente.
No fim das contas, eu quero a certeza de ser passageiro. A certeza dos sermões adultos acusando a adolescência e colocando-a como culpada de tanta bagunça, tanta confusão. Porque a ultima necessidade que me cabe nessa existência extracorpórea é a de encontrar-me integralmente, em um lugar não tão longe para que eu possa alcançá-lo, mas não tão perto para que o perca outra vez. Eu desejo apenas por mim mesma, e que seja da forma como me perdi, inteira. Não me aceito rasgada, amassada ou quebrada ao meio. E caso ninguém me encontre, não tem problema. Eu mesma me acho e me salvo, coloco-me nos ombros e me levo de volta para mim, de quem nunca deveria ter fugido.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

É só uma questão de Fé

Eu acredito que o horizonte é maior do que podemos ver. Acredito no poder da agua em tornar-se vinho. Porque, bem no fundo, todos sabem que não há nada que se possa fazer. Não há mais estradas para percorrer.
Porque há um lugar pelo qual ainda devemos lutar. Ainda há uma porta para que possamos escapar.
Então por que não existe mais fé? Você pode vir e argumentar comigo sobre isso. Você pode muito bem dizer que, se Deus é tão justo, por que há sofrimento? Com toda certeza, é uma critica plausível, mas não inteligente. As pessoas não sabem mais as diferenças entre consequencia, aflição e provações. Agora tudo que acontece de ruim é culpa dEle, e tudo que acontece de bom é chamado de Sorte. Mas qual é o problema? Por que não enxergam aquilo que está dançando frente aos seus olhos? Ninguém aceita que uma dificuldade seja apenas consequencia de seus atos. Ninguém aceita quando Deus manda um teste, uma provação para testar seus filhos. Ninguém aceita o fato de que 'na terra, teremos aflições'. As pessoas andam tão egoístas que não pensam que o seu sofrimento causa a compaixão do próximo.
Será que está tão dificil assim de se ver?
Por que é tão facil se lamentar quando acontece um acidente, e tão dificil agradecer quando isso não leva a vida de ninguém?
As respostas que o homem diz saber estão todas claras, em papeis brancos e limpos. Resta-nos aplicá-las apenas.
Não parece óbvio? E o mais engraçado é que, na dificuldade, a primeira coisa que fazemos é orar. Mesmo aqueles que são ateus, quando estão em uma situação de risco de vida, entregam-se implorando para que Deus os salve. Ninguém nunca parou para pensar em como detesta ser chamado pelas pessoas só para resolver problema e nada mais? E em como Deus também não gosta? Sim, somos todos egoístas.
Certo dia, eu estava em casa lendo uma reportagem e um moça, aos prantos, perguntava o que faria agora que a chuva havia levado sua casa, seus bens. Pois eu digo o que ela deveria fazer. Deveria levantar as mãos para o céu e agradecer de joelhos porque a vida não lhe foi tirada. Mas é incrivel como o ser humano sempre encontra uma maneira de se lamentar.
Sabe, ninguém mais se interessa pelos planos divinos. Agora a moda é ser egoísta e hipócrita. A moda é fingir ser o maioral, quando sabem que não são absolutamente nada.
Meu intuito não é ofender ninguém e muito menos julgar. Mas não é triste como ninguém vai chegar a ler esse texto? E os que começarem, logo vão largar essas palavras porque não são 'interessantes'?
Não é triste como os atrativos do mundo parecem melhores que os de Deus? E não é mais triste ainda como muitas pessoas estão rolando os olhos para cima enquanto lêem?
Porque ninguém se importa com isso. Ninguém quer saber de se doar. Todos vêem o que está escrito, mas fingem que não é com eles. Todos estão sempre fugindo sem perceber que o mundo é redondo.
Hoje, as coisas andam um pouco invertidas. E eu me pergunto: com que cara olharemos para Ele quando este vier nos buscar? O que faremos quando soar a ultima trombeta?
Entendam, não há esconderijo. Nunca houve. Não há força maior.
Eu também já deixei de acreditar nisso e já questionei muitos assuntos relacionados a isso. Eu também já resmunguei quando testemunhas de jeová bateram a minha porta. Mas quando você aceita de bom grado essa força divina, seus olhos vêem com mais clareza e eu comecei a enxergá-los melhor e me pergunto porque ninguém nunca parou para pensar em como essas pessoas sofrem; batendo de porta em porta, andando o dia todo muitas vezes de baixo de sol quente com aquelas roupas pesadas. Não estou defendendo-os, mas eles sim vão com os próprios pés realizar a missão que acreditam lhes caber. Os tais testemunhas de jeová são os que se doam pelo próximo tentando evangelizar não pedindo nada em troca. E chega a ser engraçado o quanto nós, católicos ou evangélicos, detestamos quando eles batem a nossa porta. Mas isso que os motiva a dar a cara a tapa, se chama fé.
Aprendam que, se um ônibus escolar com 40 crianças dentro perde os freios e vai de encontro a uma carreta duas vezes maior e absolutamente ninguém se fere porque o ônibus parou a tempo, quer dizer que existe algo além do que possamos ver, e que a denominada 'tragédia' é, na verdade, um milagre. E aquela denominada 'sorte', tem como verdadeiro nome 'Mão de Deus'. Ainda assim, com uma prova justa e clara da ação de Deus, o povo não crê. Mesmo vendo; mesmo assistindo a um milagre, não há fé.
Porque como diz o Senhor, "Vocês creram porque viram com seus próprios olhos. Felizes aqueles que creram sem ver."
Pois é. É exatamente como eu digo: É preciso crer para ver. Porque quem crê, sabe quando uma tragédia se torna um milagre, e vê Deus agindo.
Tudo isso se resume apenas a uma questão: Fé.
Então, quando olhares para o céu e vires que este ainda está lá, azul e brilhante, lembre-se de que alguém teve que desenhá-lo e pintá-lo dessa forma para que pudéssemos contemplá-lo. Lembre-se porque, a maioria das pessoas, não dizem ao menos 'Obrigado'.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Repelente

Desta vez eu me certifiquei de ficar bem quieta no meu canto, mas vejo que não adiantou muita coisa, porque o lugar ao meu lado está vago novamente e ninguém ousa preenchê-lo. Agora, há apenas uma senhora rabugenta sentada na outra ponta do banco.
Eu gostaria de saber porque.
Eu não tagarelei, não fui chata, não fiz brincadeiras sem graça e nem fui inconveniente. Então vamos lá, me diga qual é o problema, porque eu exijo saber.
Esse efeito repelente tem me causado alguns transtornos e ninguém parece disposto a quebrá-lo. Eu até imaginava que, um dia, alguém teria que ser imune ao meu 'super poder' e hoje eu vejo que isso nunca passou de imaginação. Então não perceberam que tem um coração a mais batendo nesta sala.
Num cômodo colorido, eu sou o cinza ou a melhor camuflagem com a parede. Mas eu já tentei colocar um pouco mais de cor no meu sorriso, e um pouco mais de vida no meu fôlego. Já tentei mudar meu campo para o negativo; quem sabe assim eu não afastaria as pessoas. Já tentei também me parecer mais com alguém que querem que eu seja, e já tentei vários outros métodos.
Nada deu certo, para não dizer que piorou.
As palavras se esvairam, as pessoas se afastaram, e meus amigos imaginários sumiram de minha mente.
Eu deveria mesmo me conformar com isso? Confesso que as vezes é até conveniente, mas só de vez em quando, porque na maior parte do tempo essa 'característica' exclusivamente minha não me favorece.
E não deveria ser o contrário? Ou eu sou multipolar?
Distância, brigas, novas amizades ou afastamente natural.. tudo agora é motivo. Mas nada é realmente um bom motivo.
Até a senhora ao meu lado moveu-se para o outro banco. Aquele mesmo em que todos estão se espremendo para caber, enquanto neste eu permaneço sozinha.
Então, se antes eu era cinza, agora eu sou invisível?!
- Ei, tem lugar aqui!
...
Só pra não dizer inaudível também.
Rejeitada por porta automática, engolida por multidões, esquecida por atendentes, ignorada por vendedores, passada para trás em filas, abandonada por ônibus, inaudível até para pessoas próximas e, aparentemente, invisível a olho nu. Concluo que talvez eu nem exista e não saiba.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

De dentro para fora

Quando se guarda algo por muito tempo, chega aquela hora em que temos que colocar para fora.
E eu descobri que quero retirar isso de mim, isso que eu escondi tão fundo a ponto de me machucar.
Eu trarei tudo à tona.Todas as minhas dores e angústias, as minhas piores experiências e meus piores defeitos, todas as minhas lembranças sombrias. Jogarei corpo a fora mesmo sabendo que isso vai me magoar. Mesmo sabendo que essas lembranças vão me dilacerar assim que eu as abrir.
Arrancarei cada mínimo pedaço amargo que resta e não o deixarei voltar para dentro de mim. Cortarei tudo em pequenos pedaços, e vou esmagar, triturar, peneirar e espalhar pelo mundo. Vou mergulhar em tudo que eu sinto e depois abandonar essas memórias, para nunca mais voltar. Para nunca mais ousar entrar dentro do meu ser novamente. Porque agora é hora de deixar esses fantasmas de lado. É hora de parar com o passado e assumir o controle do presente. Agora é hora de seguir em frente.

"Você tem cinco minutos para mergulhar na tristeza profunda. Aproveite, desfrute, descarte...
   
                              e siga em frente."

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Meus dias com vocês

A cada dia que eu passo com vocês, eu aprendo um novo jeito de ser feliz. Aprendo a ama-las mais.
É da suavidade da Mariana que eu tiro minha inspiração. O ar que eu respiro é puro quando estou perto dela, porque a leveza que ela transmite, eu não encontro em mais ninguém.
A Mariana é como uma tarde de verão, daquelas que não são extremamente quentes, mas que são agradáveis ao ponto certo. Uma tarde de verão com um sol brilhante descendo pelo céu bem azul, uma árvore com folhas esvoaçantes e um campo bem verde. Pois é, a Mari é a paisagem do meu dia.
A Carolina é o porto. É dela que vem minha segurança, e é ela que leva embora todo esse meu medo de ser como eu sou. O meu "estar a vontade" tem como sinônimo "estar com a Carol". Dela eu tiro minha sanidade, minha consciencia. Dela eu tiro meu eu como é. Sem máscaras, sem disfarces.
É a Carol que arranca um riso gargalhado de mim, quando não tenho nada mais a acrescentar. É ela que me encoraja a continuar, mesmo que inconscientemente.
A dona de todos os meus dias é a Mônica. Porque nela eu não encontro palavras, eu me deparo com o silêncio confortável de saber que é um sentimento inexplicável demais para existir no dicionário. A Mônica é aquela dos dias bons e ruins, da chuva e do sol. Com ela o tempo externo não faz diferença, porque o clima que se faz dentro de mim permanece harmonioso, do jeito que eu gostaria que ele estivesse sempre.
Ela é daquelas que você não classifica. Não há nenhuma palavra no mundo que possa traduzir isso. Não digo que ela é minha colega, ou minha irmã de coração...ela é simplesmente a minha Mônica. E quando alguém sentir essa ligação deveria chamá-la de Mônica, e não de amizade como alguns costumam fazer, porque é mais que isso.
A que me faz falta é a Gabriela. Sim, o essencial do dia parece que foi arrancado a unhas e dentes quando ela não está. Eu gosto da interrogação que ela transmite. É como se houvesse mil perguntas brilhando em seus olhos e "Por que o céu é azul?" fosse apenas uma mera dúvida sem valor. É a Gabi que me faz sentir paz e guerra. É nela que eu encontro o paradoxo da vida. Os meus olhos tem visto algo mais além do horizonte, graças a ela. A Gabi me faz querer ser uma pessoa melhor. Me faz querer ser alguém que faça alguma diferença no mundo e não venha só para ocupar lugar. Portanto é inteiramente dela que eu tiro minha força de vontade. E só ela consegue manter em mim a esperança.
Da Laryssa Maria, eu arranco sorrisos. É ela que me faz torcer os lábios, mesmo quando a situação não é favorável . Ela me traz de volta para o mundo a que pertenço. Me faz querer ser criança de novo.
É da Lary que surgem os adicionais. É dela que saltam as possibilidades e o famoso 'Por que não?'.
A Lary. Só ela me faz querer ultrapassar limites e chegar até o desconhecido.




Eu tenho aquela de cada dia, e tenho aquela que é de todos os dias. Eu gosto das atuais e das antigas, gosto das intro e das extrovertidas. É nelas que eu encontro o complemento que busco, aquele algo mais.
Eu amo cada uma que eu chamei de amiga. Amo com todo o amor que posso sentir. Mesmo aquelas que não se lembram mais de mim, ou que nunca me consideraram sua amiga. Eu amo mesmo assim e não espero que elas me amem de volta. Só quero que saibam, todas, que eu passaria horas aqui descrevendo o bem que vocês me fazem. Mas hoje, são essas que estão a minha volta e são elas que fazem parte dos meus dias. Talvez amanhã, eu possa estar aqui de novo, dizendo tudo isso de novo, só que sobre outra pessoa.
O que eu quero mesmo é que todas e todos saibam que eu não sei amar pela metade. Eu sei sim conviver mais com aquela, ou falar mais com essa. Mas amar é algo mais além disso. Vocês são meu complemento, o preenchimento de tudo que faltava na minha vida. Minhas adicionais, o meu bônus. E meus dias com vocês não serão esquecidos ou substituídos. Eles serão memoráveis e suficientes por toda uma vida.

domingo, 18 de julho de 2010

Fútil

Eu comecei o dia assim: eu vou sair, preciso de uma roupa.
Lá estava eu mais uma vez, parada em frente ao meu velho e tão surrado guarda-roupa, com um toalha enrolada nos meus cabelos encharcados e um camisetão desbotado.
Onde vocês foram parar saias decentes? E por que raios as minhas calças fugiram?
Roí toda a minha unha e a culpa é inteiramente de vocês. Arranquei meu esmalte cor-de-vermelho-sangue e estou prestes a passar a tesoura no meu cabelo. Deveria ser proibido ter menos de 4 calças jeans, duas para escola, trabalho e afins e duas para sair. Pior ainda, deveria haver um decreto dizendo que toda mulher TEM que fazer compras pelo menos uma vez a cada 3 meses. Eu digo só mulher porque homem normalmente fica feliz se tiver só um bermudão pra colocar.
Detesto essa falta de alguma coisa nas minhas gavetas. Detesto quando parece que tem um peça essencial faltando, tanto em você quanto no seu armário. É um saco. E me deixa revoltada.
E essas peças alheias que insistem em gritar? EU NÃO VOU COLOCÁ-LAS.
Eu não tô pra nenhuma de vocês hoje. Não estou para amarelo e nem vermelho, e porque só tem preto para vestir?
Então, essa saia fica feia com todas as blusas existentes no meu guarda-roupa, e essa blusa ótima não combina com nada. Até mesmo aquela camiseta bonita agora parece não gostar mais de mim, e insiste em me deixar gorda. A minha calça preferida está para lavar e o meu vestido já foi pro shopping sem mim, porque ele conhece o caminho inteiro de cor e salteado. Mas que droga.
E é chegado o momento da crise de nervos, depois vem a crise de identidade, a crise de 'nada fica bom em mim', a crise de 'não tenho roupa', a crise de 'estou gorda'  e segue sucessivamente assim até chegar na crise existencial.
Então os sentimentos tornam-se sucessivos também. Primeiro a dúvida entre essa combinação ou aquela, seguida pela raiva de naõ ter gostado de nenhuma, sucedida por 'eu vou esmurrar a parede se não achar aquele top branco', depois a tristeza, então a decepção e enfim a desistência.
Sento, grito com a cara enfiada no travesseiro, abraço meu urso de pelúcia e escondo minha cara embaixo do edredon.
E depois, vem aquele sentimento auto-crítico. Quando foi que eu me tornei tão fútil e seletiva com minhas roupas? Por que não posso simplesmente colocar uma camiseta, um jeans velho e meu all star sujo?
Porque não! Eu-tenho-que-encontrar-uma-roupa-DECENTE-para-sair.
Estou definitivamente frustrada comigo e com tudo que eu visto.
7:45. Tenho que estar pronta as oito em ponto.
Não tenho roupa, estou gorda, meu esmalte está descascado, minhas unhas estão roídas e meu cabelo está um fiasco total. Minha cabeça dói e eu me sinto podre por dentro.
Quer saber? Não vou sair pra droga nenhuma de lugar. 
 
* Corre para o chocolate e depois se desmancha em lágrimas por ter se empanturrado de puras calorias, entra debaixo do cobertor e dorme. :z

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Ego feminino

Correndo os olhos por vários textos apaxionados e feministas eu comecei a formular uma conclusão. Um em particular me chamou a atenção e não era feminino: "Encontre uma mulher". Assim como aquele texto "Encontre um homem", este também idealiza. E foi nesse texto escrito por nada menos que um rapaz,que eu parei para pensar.
É sempre o nosso lado que é considerado. As mulheres sempre são as vítimas procurando o principe e os homens sempre são os insensíveis procurando a próxima. Nós sempre idealizamos o cara perfeito e sempre pensamos que ele não existe, mas nunca paramos para analisar que eles também podem ter suas listas de exigências e podem idealizar um certo tipo de mulher. E quando o lado masculino descreve uma mulher que seria pefeita para "casar", todo o lado feminino concorda e se auto elege boa o bastante para o papel de esposa. Nenhuma mulher nunca admite que ela não é desse tipo. A única confissão que fazemos é que "não somos dessa massa de garotas vulgares" ou "somos diferentes". E o que as leva a pensar dessa forma? O que nos leva a afirmar que somos nós que os homens procuram para viverem o resto de suas vidas e não apenas para ficar?
E se nós também fizermos parte dessa classe indesejada para eles assim como muito homens fazem parte da classe "galinha" ou "ficante", indesejável para compromissos sérios para nós? Porque todas as mulheres pensam "não ser desse tipo"? Sabe, do mesmo jeito que nós imploramos silenciosamente para que eles mandem flores ou desejamos que nos agarrem e nos joguem na piscina mesmo dizendo que não gostamos, eles também têm certas idéias sobre o que gostariam que fizéssemos. Eles também desejam que façamos algo surpreendente ou digamos palavras que eles sempre quiseram ouvir.
Tenho que ressaltar a injustiça disso, mesmo reconhecendo que este argumento fere profundamente meu lado feminista. Eles também tem o direito de se sentirem assim, afinal. Nós, por exemplo, quando não queremos mais um cara, simplesmente conversamos com ele com jeito para não magoá-lo e ficamos bravas quando ele não aceita isso. Mas e se o caso inverter? Porque quando eles conversam conosco sobre uma possível sepração, temos a imagem que estarmos sendo dispensadas na cara dura, e ainda nos sentimos ofendidas? A cabeça feminina é um imenso lago de dúvidas, é praticamente um mar. Então haverá um certo momento que teremos incertezas sobre nossos companheiros e isso é aceitável. Mas qual a razão de não ser aceitável quando tal incerteza se mostra no lado masculino do relacionamento? Sinto dizer isso, mas entendo que posso não ser o tipo perfeito de mulher. Posso não ser aquela que sempre penso que sou. Aquela que muitas vezes é descrita pelos homens como "para casar" e que ilude todas as mulheres como se fossem adequadas para isso sendo que, muitas vezes, não são.
Com o orgulho um pouco ferido eu confesso que toda mulher tem o ego um pouco elevado demais, e que isso atrapalha tanto ao homem quanto a ela mesma. Confesso e peço desculpas aos homens que por tantas vezes foram atacados a unhas quando estes diziam que aquela ou essa mulher não é para casar. Talvez eu mesma não me encaixe nesse perfil dona de casa e, acreditem, eu não sinto o menor orgulho disso. Mas esta é a só a realidade clara e crua que a maioria das pessoas do sexo feminino não aceita: as mulheres também são classificadas ou desclassificadas. Assim como nós dirigmos palavras venenosas aos homens galinhas, eles também invenenam as moças "fáceis demais" com suas palavras maldosas. Temos que aprender que, muitas vezes, não somos o tipo certo que eles procuram, mesmo que tentemos ser. Da mesma forma que eles nem sempre são os principes que esperamos sem merecermos. Não somos princesas, então não há motivos para esperarmos algo além de homens comuns, de carne e osso; com defeitos e qualidades. E cá entre nós, estaremos ferradas se os homens começarem também a idealizar princesas ou mulheres perfeitas na mesma frequência que nós nos iludimos com vampiros lindos e principes românticos. Então coloquem-se todas em seus lugares reais e aceitem que nem sempre somos magníficas, assim como eles nem sempre são 'bananas' como pensamos.

"Encontre uma mulher que preze mais inteligência do que aparência. Que não desligue na sua cara, sempre te escute antes de gritar. Que durma no teu colo, olhando as estrelas. Espere pela mulher que goste de beijos ardentes e também de singelos cafunés. Que queira sempre te levar ao shopping quando vai sair com as amigas. Uma mulher que não fique tímida na frente dos seus amigos. Que te ache lindo mesmo de barba malfeita e que te faça companhia nas festas de família. Aquela que demonstra o que realmente sente e o quão feliz ela está do seu lado. Que seja fiel, que tenha um pouco de ciúmes mas que não seja doentiu e principalmente aquela que confie em ti. Espere por aquela que esperará por você. Espere por aquela que quando você está chegando, sussura às amigas: É ele!"

- O que nos faz pensar que nos encaixamos perfeitamente nesse perfil?

"Encontre um homem que te chame de linda em vez de gostosa. Que te ligue de volta quando você desligar na cara dele. Que deite embaixo das estrelas e escute as batidas do seu coração, ou que permaneça acordado só para observar você dormindo. Espere pelo homem que te beije na testa. Que queira te mostrar para todo mundo mesmo quando você está suando. Um homem que segure sua mão na frente dos amigos dele. Que te ache a mulher mais bonita do mundo mesmo quando você está sem nenhuma maquiagem e que insista em te segurar pela cintura. Aquele que te lembra constantemente o quanto ele se preocupa com você e o quão sortudo ele é por estar ao seu lado. Espere por aquele que esperará por você... Aquele que vire para os amigos e diga É ela!"


- E o que nos leva a acreditar que nenhum deles nunca agiria assim?



A mente feminina não é tão dificil de entender. Impossível mesmo é compreender o ego feminino que age de forma invisível e pode destruir tanto um coração masculino quando um coração feminino. Vai saber.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Fraqueza

Venha até mim e pegue minha mão. Eu quero sonhar mais um pouquinho e não estou me importando o suficiente com a decepção que virá para que possa te mandar ir embora. Eu sei que depois disso, o vazio ficará maior, pior, mais doloroso. Mas, no momento, eu quero sentir você aqui comigo. Mesmo sabendo que é passageira e inexistente a sua presença e tudo o que vem com ela. Plenamente ciente de que isso me dilacerará mais tarde, eu anseio por mais de você - que eu nem mesmo sei quem é. Eu quero ouvir sua voz e ver suas expressões desenhando seu rosto. Eu quero sentir sua presença e sua respiração como se elas fossem reais. Quero deixar fluir essa conversa silenciosa e quero seus olhos demorando nos meus. Uma espécie de mão tenta me puxar de volta e erguer minhas pálpebras, mas eu as fecho novamente com força, apertando-as mais contra meus olhos, recusando-me a acordar. Permaneci muito tempo adormecida de uma forma robótica e sem sonhos e concordo que talvez tenha sido o que restou da minha sanidade tentando me manter afastada de mais fontes de ataques, mas sem sucesso. E agora que eu voltei a ilusão, não vou deixá-la ir embora tão fácil. O plano do meu corpo fracassou, porque eu não posso simplesmente me manter fechada por muito tempo. Eu tentei.. realmente tentei. Construi alguns poucos e fracos muros de gelatina ao meu redor, porque eu não sou tão forte assim para fazer dessas barreiras paredes mais sólidas e consistentes. Infelizmente eu levantei tijolos com o intuito de ve-los sendo quebrados por você. No fim das contas, eu queria mesmo te ver romper meus pensamentos. É masoquismo, eu sei. E é doentio. Mas não posso e, espantosamente, não quero afastar essas fantasias e ilusões de mim. Pode soar estranho, mas não sou o tipo de pessoa que implora para esquecer algum acontecimento ou algum relacionamento. Eu sou o contrário, só para variar. O oposto de auto preservação. Parece até que eu gosto de destruir-me. Apenas volto nas imagens que me ferem. Em minha cabeça, eu grifo cada palavra que foi mentida para mim e permito a abertura da represa em meus olhos. Eu sublinho lembranças tristes e aumento para o tamanho de uma tela de cinema as minhas piores memórias. Eu corro atrás de minhas ilusões, de meus sonhos impossíveis e fantasiosos.  Eu destaco meus erros passados, e me arrependo mais uma vez.
A fraqueza me consome, e eu permito. Eu deixo ela me corroer de dentro para fora. Não a impeço, não a detenho. Não tenho vontade de treinar minhas forças para resistir a esses auto-ataques. Em compensação, a realidade contra ataca, me chamando de volta. Ordenando que meus pés voltem a pisar nesse chão duro e frio. Mas nem mesmo meu corpo tenta me impedir de devastar-me. Talvez até já tenha me acostumado a essa dor excruciante da verdade. Por isso, já que não há mais salvação para mim e eu estou condenada a viver escrava de minhas ilusões impossíveis, eu permaneço tentando pelo menos fingir que tudo que eu quero é verdade e está ao meu alcance, disponível. Eu criei mesmo um mundo mágico cheio de fantasias e ilusões, cheio de tudo que eu jamais terei por maior que seja a força com que eu quero ter. E isso é puro fruto dessa besteira que dizem que a imaginação de uma criança tem que ser aguçada e desafiada com tudo aquilo que é sobrenatural. Eu me afundei nos castelos, terras do nunca, submundos e criaturas inexistentes, e eu confesso que fiz tudo isso com o único intuito de me arrancar dessa minha vida desastrada e sem rumo. Apenas para fugir de uma realidade trágica: a minha própria realidade.
Não sei se isso faz bem a minha tão abalada sanidade mental, mas é o meu último recurso e eu preciso dele como um viciado precisa de sua droga. Então, apenas me deixe aqui com meus sonhos frustrados. Me deixe desfrutar da imaginação da essência do que seria o gosto da realização. Eu até posso continuar vivendo dessa maneira, embora eu tenha sérias dúvidas sobre isso ser uma forma de vida ou de existência. Porque por mais incrível que pareça, eu também treinei viver sem você, e até consegui.. mas não era exatamente o que eu chamaria de vida. Eu sobrevivi com sua falta, mas isso não quer dizer que eu tenha vivido com ela. Sinto dizer, mas prefiro a ilusão do que seria viver com sua presença, do que a certeza da dor que é existir com sua ausência.



Sim eu sei que poderia simplesmente me culpar, mas não vou. Porque eu tenho no momento apenas uma certeza: a culpa de toda essa confusão é inteiramente, inegavelmente e irrevogavelmente do criador da frase "Era uma vez..", que fez com que toda essa magia da sobrenaturalidade fosse tentadora demais para recusarmos, ainda mais sendo nós crianças inexperientes como todos um dia fomos.

sábado, 10 de julho de 2010

Vital

Daqui consigo ouvir o tum-tum, um som familiar. Um som que soa como música aos meus ouvidos e que, sem ele, eu morreria. E quando eu percebo esse batimento ao fundo, imploro para que ele não pare jamais. Peço com todas as minhas forças para que esse toque, essa música que é o núcleo do meu mundo particular, continue até o fim dos dias. Ou pelo menos, até o fim dos meus dias.
Eu sei que é meio estranho o desespero que eu tenho. É exagerada demais essa minha ânsia por uma só pessoa.
Mas é que eu tenho andando com medo, desde então. Porque foram tantos batimentos os que eu perdi. Tantas músicas pararam de tocar; tantos instrumentos que não soaram mais.
Então, não me culpe se eu parecer obssessiva demais com esse coração; não me culpe pelo fato desse pulsar ser meu porto seguro.
Eu só quero mesmo o seu sangue correndo por suas veias, como sempre foi. Eu quero que seja sempre assim, para sempre. Quero seu fôlego em abundância, seus olhos piscando no mesmo intervalo de tempo que sempre piscaram. Isso é vital para mim.
Já me perguntaram qual era o meu maior sonho, e eu nunca soube responder. Mas hoje, o dia amanheceu mais claro, e eu entendi que não preciso de nada, absolutamente nada quando tenho você aqui. Eu só preciso de uma certeza na vida, e é essa que ainda me faz respirar. É essa, de que seus pulmões estão cheios de ar e de que seu coração está batendo no ritmo de sempre, no compasso certo.
É o único motivo que me impulsiona para frente. A única razão pela qual eu ainda luto.
É simplesmente a única certeza que eu preciso ter para continuar vivendo.
Então, me apertando contra teu peito e ouvindo essa melodia, eu peço silenciosamente com toda a minha fé, com todas as minhas forças e com toda a minha vontade: Nunca pare de bater.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Crítica

Eu não sou do tipo que entra em comunidades no orkut com dizeres revolucionários só para parecer legal. Eu sou do tipo que abre a boca e, se posso, contesto, questiono, protesto. E, ao meu ver, o que anda faltando é ação. Eu quero ver o show acontecer, quando essa geração vai perceber que não há mais para onde correr? Eu não quero ter que ver o Serra divulgando que faz 'melhorias na educação' quando, na verdade, ele quase dobra a quantidade de vagas em uma escola sem se quer mexer na estrutura. Agora, é o seguinte, o mundo está perto do ralo e a população em vez de servir de tampa, age como rodo. E então todos se perguntam o que vai ser do mundo, enquanto estão sentados em frente a tv, comendo um hambúrguer e criticando o governo. O estado está mesmo fora de controle, o país já nem sabe mais qual é o significado de 'ordem', mas ainda existem os que se importam, e quando fazem a revolução ganham o nome de 'baderneiros'. Eu vejo uma sociedade hipócrita que não briga pelo que vale a pena, abre processo só porque comprou uma roupa com defeito. Eu sinto emanar das pessoas um sentimento ruim. Não vejo olhos solidários e muito menos mãos limpas. Só restam corações petrificados e mentes alienadas, consciencias pesadas. Só o que se sabe é a nova coleção da Colcci e o novo lanche do Mcdonald's. O único propósito na internet é o twitter. Ser honesto hoje em dia, é ser brega. Porque para fazer parte da moda, você tem que ser esperto, no sentido traiçoeiro da palavra. Enquanto pessoas morrem de frio e de fome, é isso que o mundo faz. Vejo daqui uma nuvem de poluição e uma camada de egocentrismo. Um material tóxico anda habitando entre os seres humanos. E a única preocupação do Lula é a copa de 2014. Os únicos heróis são o Michel Jackson e o Ellano. Todas as empresas do mundo tentam convencer-nos de suas boas ações para com o meio ambiente, mas durante a noite quando passamos em frente a uma fábrica, simplesmente fingimos que não estamos vendo aquela 'pequena' nuvem de fumaça preta, e o que nos leva a fazer isso?
Enquanto alguma parte sã da juventude tenta resgatar o espírtio Che Guevara, a grande maioria alienada compra uma camiseta dele no shopping para ser cool. E quando o sentimento revolucionário presente nos sãos explode, então partimos para a revolução. E somos apredejados, atacados, tratados como marginais praticando vandalismo. É essa a sociedade que muitos se orgulham de fazer parte. É essa a verdade varrida para debaixo do tapete e escondida a todo custo atrás das cortinas. Não há interesse pelos interesses, e isso sim é uma bela de uma contradição. Não há nada que nos impeça de ver o que está acontecendo, apenas nós mesmos. A globo tem manipulado tudo e todos, e estes aceitam de bom grado porque querem. Mas quando o mundo estiver acabando, virá a humanidade inteira querer impedir. E só o que andamos pedindo é a 'descoisificação'. Trata-se apenas de ser humano, de ter um coração e de ter a capacidade de doar-se em prol de um lugar mais respirável. É isso que nós buscamos. A paz, o conceito, o respeito.
Gritamos a plenos pulmões até que tenhamos forças o suficiente para fazer de nossas palavras, ações. No fundo, todos vocês sabem que a hora está próxima, e que quando chegar levantaremos a bandeira e declararemos guerra. Formaremos um exército para lutar pela paz, pela decência.
Mas esse dia chegará, mesmo que hoje muitos tenham a cara de pau de gritar que querem mudar o mundo enquanto estão com a bunda colada no sofá. Tenho, porém, que reconhecer que estes fizeram sua parte; parabéns, olhem ao redor de si mesmos e digam-me agora o que vêem, contem-me o que fizeram.
Porque eu ainda vejo pessoas morrendo e animais sendo maltratados, vejo o mal crescendo e nós aqui, de braços cruzados.


"Deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar."