quarta-feira, 9 de junho de 2010

Má digestão

- É para lá que eu quero correr e me esconder. Lá onde os braços são quentes e o sentimento é o amor. Lá onde os olhos são sinceros e as palavras são de paz.
É para lá. Onde não há essa chuva ácida que parece cair só sobre mim. Onde não vai existir guerra e nem tristeza. Onde a felicidade brota de uma fonte inesgotável. Lá mesmo, onde o sorriso é verdadeiro.
Eu caminharia léguas. E não me importaria com as bolhas em meus pés cansados e nem com a terra embaixo de minhas unhas. Eu arrancaria forças para poder chegar, desde que houvesse um final feliz me esperando. Desde que eu chegasse lá, e descobrisse que valeu a pena todo o esforço.
Mas me parece um pouco (muito) injusto o fato desse lugar não existir.
E só o que eu ouço são palavras vazias me dizendo para seguir em frente. Mas para onde eu vou agora?
Não há mais caminhos e estradas para percorrer, e mesmo se houvesse, não há mais força de vontade o suficiente para fazer-me sair do lugar. Não sobrou nenhuma motivação, e a única razão que me faz estar aqui não tem força o bastante para me fazer também sair deste lugar. Me desculpe, mas eu preciso de um pouco mais do que essas palavras secas e um eu te amo de vez em quando.
É triste, mas é verdade. Não há um futuro promissor.
Então por que raios eu enfrentaria mundos e fundos? Por que eu caminharia dias e noites? Para que?
Eu quero um sorriso no final, quero a felicidade do 'viveram felizes' e não precisa ser 'para sempre'. E isso eu sei que não está ao meu alcance, como nunca esteve.
Desculpe mais uma vez, mas infelizmente eu não tenho mais forças para continuar seguindo por essa trilha que só me leva ao nada. -
E eu continuo com um sorriso disfarçado no rosto, um brilho bem ensaiado no olhar. Porque não quero fazer ninguém sofrer, não quero ser a pessoa que vai gritar aos prantos dizendo que não vê mais sentido nisso tudo, e que não há mais gosto na comida. Não quero ter que arriscar deixar mais uma pessoa das que sobraram, infeliz. Então eu sigo pelo mesmo caminho, com passos lentos e arrastados, afim de engolir tudo isso que está engasgado e mastigado na minha boca, pedindo para sair.
Porque a verdade é que eu sei que não vou fazer nada disso. Sei que essas palavras passarão vagarosas por minha garganta, e chegarão ao meu estômago causando-me má digestão.
Mas, mesmo assim, eu engulo. De novo.





Talvez seja pedir demais por algo que eu nem mereça tanto assim. E talvez o preço da felicidade e até mesmo o da esperança, seja mais alto do que eu pensava.

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