sexta-feira, 4 de junho de 2010

Doce infância

Quando coloquei o dvd para reproduzir não acreditei que aquela criaturinha minúscula e inquieta era eu.
A filmagem continha dois aniversários meus, de 1 e de 2 anos e assim que reconheci a música que tocava ao fundo do video, jorraram lembranças e flashs por todos os lados da minha cabeça.
O som era aquele mesmo tipo de todos os churrascos e festas em familia que fazíamos, pagode do tipo 'Raça negra' e as 'boas' músicas do tipo "a gente morou e cresceu na mesma rua como se fosse o sol e a lua dividindo o mesmo céééu.."
Os gritos e risos das crianças presentes eram insurdecedores mesmo pela televisão e a câmera pegava todos sem dó nem piedade, até mesmo aqueles que não queriam aparecer.
Eu parecia um bolinho de panos em meu vestidinho branco no primeiro aniversário. Todos chamavam meu nome, e cada chamado surgia de um canto da chácara, onde a festa estava correndo.
Engraçado ver isso tudo e ver essas mesmas pessoas de hoje, porém com um estilo um pouco peculiar para os anos atuais. As mulheres com os cabelos armados e despojados, os tamancos que deveriam ser moda na época e aquelas bermudas altas do tipo 'esquenta-coração', combinadas com um top colorido. Os homens todos de calça jeans alta, com um cinto preto e uma camisa meio largada.
Mais engraçado ainda me ver tropeçando e pulando pelos cantos da casa. Fugindo cada vez que alguém tentava me pegar no colo.
E os presentes então? Todos espalhados pela cama. Vestidinhos, ursinhos de pelúcia e sandalinhas coloridas. Senti as conhecidas gotas quentes escorrerem por minhas bochechas quando a câmera focalizou meu pianinho de brinquedo, que era em forma de bolo de aniversário. Aquele pianinho que tinha uma velinha que acendia e que tocava "Happy birthday to you" quando apertava o botão certo. Eu mal lembrava dele, e a única coisa que meu subconsciente guardou foi a música, e eu tinha certeza que o bolo era de morango também.
A sensação de déjà vú me atingiu tão fortemente que me desnorteou durante alguns minutos.
Os presentes, a música, as pessoas e aquela minha voz chatinha tagarelando. Olhei para aquela menininha do sorriso largo e das pernas tortas que se embolavam em si mesmas e não me reconheci. Havia um brilho vivo em seu olhar, e eu não consegui me ver através daqueles grandes olhos que mudavam de cor conforme a luz.
Estranho como era tudo tão simples, tão fácil e como parecia estar tudo numa perfeita ordem de uma doce infância.
Hoje, eu me vejo através da televisão e não encaro o fato de que aquela sou eu, só que numa versão menos complicada, em circunstâncias mais simples.
Não consigo aceitar que aquela época foi roubada de mim tão rápido. E que agora eu cresci, e não tenho mais meu pianinho para cantar para mim.
Eu sei que, talvez, eu só esteja com aquela nostalgia conhecida, mas ainda assim me dá um nó na garganta de saber que aquela felicidade simples, pura e leve que tínhamos pode não voltar nunca mais.
E o que restou disso tudo? A saudade. E a lembrança da melhor época que eu já vivi.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Toda ação gera uma reação. Eu agi, agora é vez de vocês reagirem. :)