sexta-feira, 11 de junho de 2010

11 de junho

Hoje seria seu aniversário, mas é estranho. Porque o sentimento é o mesmo e cresce a cada dia, mas como se não tem mais para onde crescer? E fica cada vez mais intenso, como se nunca fosse ter um fim.
Mais concentrado; preso a um só lugar porque não tem mais para onde ir. E por que não transborda?
Você não está mais aqui para que eu possa colocar esse sentimento para fora, e mesmo assim ele não pára de aumentar, estourando os limites possíveis do que restou de mim.
E agora, a cada 11 de junho que passa, uma barreira interna é destruída enquanto essa concentração me alaga e me afoga.
Eu sei que não era para ser assim. E sei que só depende de mim parar esse desmatamento das minhas poucas raízes, mas este é exatamente o problema: Depender de mim.
Não gosto dessa palavra e detesto quando ela se aplica a minha pessoa mas o meu fracasso é total quando se trata de deixar o passado e viver o presente. Hoje eu sobrevivo, atinjo algum alvo fácil. Abro a porta dos fundos e não consigo evitar a foto sobre a mesa.
E então, tendo fracassado novamente, eu folheio aquele seu velho e tão surrado caderno de receitas e vejo quantas folhas em branco sobraram.


                                                              E quanto ainda havia para ser escrito.

"E eu me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos, teu pijama.
Nos teus pés, e ao pé da cama.
No tapete. Atrás da porta me escondi. Porque não consigo apenas deixar você ir.
Me descobri, e só para poder pedir que me cubras para sempre só mais uma vez."

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