sábado, 1 de maio de 2010

Sobrevida

Eu cansei.
E neste caso, o cansaço é apenas um mero ponto de vista. Então, eu vou abusar dele.
Eu estou morta, na verdade. Estou esgotada, no meu nível máximo de carga. Chego a pensar que lido muito bem com todo esse caos, já que meus pedaços ainda não foram arremessados corpo a fora. Mas por que?
Eu sinceramente acho que não tenho motivos suficientes para estar assim, mas o meu cansar é total.
É um cansar físico, químico e mental. E eu não posso controlá-lo. Nem mesmo sei de onde vem essa minha respiração ofegante.
Chego a imaginar minha cabeça cheia de grãos de areia que insistem em ficar e me atormentar. Porque é o que parece, pequeninos grãos de problemas, misturados com uma verdade sólida que eu não quero aceitar. Parece que nada disso está realmente acontecendo, e que eu só estou exagerando e piorando as coisas, de novo. Mesmo assim, eu estou farta.
E como é estar farta? eu estou farta de minhas músicas, mas eu nem as ouço mais tanto assim.
Acabei por deixá-las de lado, assim como o resto da minha vida. Assim como minhas fotos, meus passeios e minhas risadas. Acho que agora eu sou invisível.
Andei me concentrando em apenas um ponto da vida, e eu nem sei qual é.
Não sei porque fiz isso, mas sinto que me desliguei de mim como se estivesse focada em algum outro ser, algum outro batimento cardíaco que não fosse o meu.
Sera que é assim quando a gente morre? Ótimo! Pode me chamar de idiota agora, porque eu consegui me matar socialmente.
Afinal de contas, qual era a minha intenção? Eu estou perdida mais uma vez e não consigo me achar. Só o que eu vejo é esse personagem idiota a quem eu me prendi.
- Ei, o que você fez comigo? É só a sua vida que eu conheço agora.
Talvez eu ainda esteja sonhando acordada ou talvez eu tenha morrido externamente, então vou apenas fechar os olhos agora e deixar-me embalar por esse cansaço até que ele me guie para o mais profundo sono. Quem sabe assim eu sonhe da maneira correta, como se deve sonhar, com as pálpebras bem fechadas e quem sabe depois de uma longa noite de sono eu acorde de verdade desta vez, para a minha própria vida, de olhos bem abertos para aminha realidade. Eu vou sobreviver. Ou não.

Quando eu olho para trás eu vejo tanto esforço, tanta dedicação, tanto trabalho.
Para quê? E a minha vida?
A minha vida eu guardei para depois.
Mas eu nunca pensei que poderia não haver um depois.

Um comentário:

  1. que lindo que tá seu blooog :)
    e seus textos todos feios, muito feios! [\ironia]

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Toda ação gera uma reação. Eu agi, agora é vez de vocês reagirem. :)