sábado, 8 de maio de 2010

Outono

Gotas caem do céu fingindo ser chuva, e as nuvens já assumiram o tom do meio termo, a incerteza do cinza.
O vento vai ficando mais frio a cada dia e as árvores já começaram a se despir do verde.
Então chegou mesmo o outono?
Logo eu que gostava disso, já não vejo muita felicidade. Mesmo assim sei que ainda gosto.
Não deixo de notar, porém, que a beleza dessa estação é triste, porque ela não se deixa enganar.
As gotas que caem são como lágrimas vindas de um céu sem vida. Lágrimas que molham o que restou das folhas que costumavam ser mais verdes e que agora permanecem no silêncio das praças, jogadas ao chão.
E as árvores também atingiram seu ponto equilibrado. Nem pretas e nem brancas, porque resolveram que queriam ser apenas marrom.
Há algo de errado nisso, e acho que talvez seja só porque eu não estou gostando dessas cores de tons pastéis. A intensidade de janeiro ainda está vibrando pela minha pele.
Mas então é outono, e meus pés descalços andam pelo asfalto molhado agradecendo por não estarem queimando no sol de verão. Então, mais uma vez, chegaram os meses incertos de outra estação.
Pensando bem, eu gosto dessa mudança toda. Eu gosto de saber que o ar que eu respiro está diferente. Gosto do cheiro de orvalho, do cheiro de pinheiro e do leve aroma de café quente vindo das casas vizinhas.
Eu vejo as árvores acenando para mim com seus galhos secos, e percebo que elas também gostam de trocar um pouco a roupa.
É, o outono chegou para mudar.Trazendo com ele tudo aquilo que veio, desta vez, para ficar.

Um comentário:

Toda ação gera uma reação. Eu agi, agora é vez de vocês reagirem. :)