sábado, 29 de maio de 2010

Alguéns [parte 2]



Eu não quero alguém que diga "eu também" quando eu disser que o amo. Não quero ter que escolher alguém por força da circunstância. Eu não quero alguém que seja simplesmente "alguém", perdido por aí, sem rumo.
Eu quero alguém que supere minhas expectativas. Alguém que seja melhor do que eu fui capaz de sonhar um dia. Alguém inimaginável que seja tudo que eu nunca pensei em pedir, mas ao mesmo tempo seja tudo que eu sempre quis sem saber que queria.
Eu quero alguém com quem eu me sinta a vontade. Quero acordar de manhã descabelada sem ter vergonha dele estar por perto.
Eu quero um homem que não traga apenas buquês de flores. Quero aquele que lembre de mim quando vir uma rosa perdida na rua.
Eu não quero alguém que apenas pergunte como foi o meu dia. Eu quero aquele que esteja realmente interessado no que eu tenho para falar, e que tenha a paciencia de me ouvir quando eu começar a contar sobre minhas últimas 24 horas.
Eu quero um alguém que vai me fazer rir sem motivos, e vai me dar motivos para rir.
Eu quero aquele que não vai me pedir explicações para tudo o que eu sinto.
Não quero alguém que minta dizendo que eu fico maravilhosa sem maquiagem, mas que goste do tom da minha pele apenas por gostar.
Tem que ser alguém que me faça perder o ar todos os dias. Porque eu quero aquele que tenha a capacidade de me fazer apaixonar novamente por ele, toda vez que eu o olhar.
Eu quero alguém que queira ser esse meu alguém para o resto da vida. Alguém que queira ser o alguém que eu idealizo.
Eu quero alguém que me queira da mesma forma. Que me veja da mesma forma.
Eu quero alguém inesperado, com atitudes impossíveis e falas imprevisíveis.
Eu não quero alguém que seja como eu, mas eu quero alguém em quem eu cause os mesmos efeitos de pernas bambas e mãos suadas. Eu quero que ele seja o homem que suspira quando me vê. Quando eu estiver insegura, eu quero suas mãos nas minhas me fazendo sentir protegida quase que instantaneamente.
Eu quero mesmo é alguém bem melhor que tudo isso, alguém que seja tão bom que eu não consiga se quer idealizar.
E eu quero com todas as minhas forças que esse alguém exista para mim e que ele acredite que eu sou aquela que ele pediu que existisse para ele. Que seja mais do que eu possa imaginar, sendo apenas tudo que eu preciso e tudo que eu pediria se me conhecesse o bastante para saber o que pedir.
Eu quero alguém que definitivamente não existe e que, mesmo se existisse, seria bom demais para mim.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Dor do nada

"[...]Como toda dor que de tão insuportável produz anestesia própria."


De uns tempos para cá eu mudei minha concepção sobre o que significa dor, no sentido emocional.
Uma pessoa pode achar que a pior dor no mundo é aquela que se sente quando se perde um filho. E, colocando em prática minha nova teoria, eu concluo que pior que perder um filho é nunca ter tido um quando se teve vontade.
Pior que a dor de um divórcio, é a dor daquela que queria casar e nunca conseguiu.
Quando se tem algo ou alguém, a dor de perder não é tão grande. Porque você teve, e é esse o ponto. Você terá lembranças do momentos juntos e você saberá que aquilo existiu de verdade, mesmo que hoje não faça mais parte da sua vida, você saberá que fez um dia. E isso basta. Isso deveria bastar.
Mas e aquela dor do nada? Aquele vazio que nos corroe gritando por um preenchimento?
E aquela angústia insuportavel de saber que não existe nada para você? Nada para ocupar aquele lugar vago?
Aquele que perdeu o que tinha que me perdoe, mas essa dor de não ter é muito pior.
Um buraco cavado por alguém dói menos do que aquela cratera vaga em seu peito, cavada por si própria, sem autor nenhum.
Então Bella, controle-se! Você diz que tem um buraco no seu peito porque o 'amordasuavida' foi embora, mas não sabe que o buraco no peito daquelas pessoas que não tem 'amor' nenhum na vida é dez vezes mais fundo que o seu. Contenha-se e contente-se. Pode parar de drama.



Eu queria ser da turma dos que perdem.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Muiteza

Seguindo um coelho eu acabei entrando em um buraco, e agora tudo está girando de forma desconexa.
Eu estou caindo.
Pianos inteiros, árvores, relógios e pirulitos de morango me atravessam.
Tudo que eu sou e que eu tenho cai comigo, num infinito espiral.
O teto está para cima, e eu estou de cabeça para baixo. Mas quem é esse do cabelo engraçado? ele não parece ser muito consciente das coisas.
Então, eu estou sendo levada por caminhos estranhos. Cogumelos alucinógenos? tudo está fora do lugar habitual e do tamanho normal.
Ele me diz que é o chapeleiro, e eu percebo logo que ele é de veras maluco. Ouço todos a minha volta traçando meu destino por mim e decidindo o que eu devo fazer.
Matar dragões e lutar contra exércitos? Mas por que exatamente eu faria isso? 
Eles discutem se eu sou a pessoa certa ou não. Eles me encolhem e me esticam quando isso lhes parece justo.
E tudo começa a ficar confuso demais, subindo a um nível de pressão que eu não posso lidar.
Eu estou sendo manuseada como se fosse um objeto, e todos me dizem o que fazer e aonde ir, como se eu fosse um robô.
As lágrimas correm por minhas bochechas e, assim como elas, eu fujo correndo por entre os seres incomuns, porque eu só quero voltar para casa.
Mas um sorriso me alcança. Um sorriso? Agora tomando forma de gato, ele me diz que eu tenho que voltar para enfrentar o mundo das trevas. Então agora eu sirvo?
Digo que ninguém perguntou minha opinião até agora, e que eu não vou fazer nada disso, porque essa luta não é minha.
Se eu estou com medo? E se eu estiver?
A voz daquele cabelo alaranjado assinála: Você está diferente. Você perdeu sua muiteza.
Não sei o que isso quer dizer, mas sinto-me ofendida.
Eu vou lutar, então. E veremos quem foi que perdeu a muiteza.
Num mundo subterrâneo, a guerra começa e eu sou mesmo uma guerreira.
Com uma espada na mão e uma armadura de ferro, eu ataco os meus inimigos e corto-lhes a cabeça.
Mas se eu sou apenas uma menina, como posso enfrentar tudo isso? Como posso lutar contra dragões?
As cabeças rolam por todos os lados, e o meu próximo passo agora é ir para casa.
Eles me perguntam se eu não quero ficar e quando digo que não, conchicham entre si que eu sou louca de querer voltar para aquele mundo em que vivo, sem fantasia.
Eu lhes explico que no lugar onde moro não tem mesmo nenhum chapeleiro maluco, não tem nenhum coelho que usa paletó e nem mesmo tem um gato que sorri, mas que, ainda assim, é de lá que eu venho e é para lá que eu vou voltar.
Porque como posso ficar nesse mundo que tudo é ilusão? E até seus sonhos e realizações são ilusões?
Eu preciso do concreto, da certeza da minha conquista, da chuva sobre minha pele.
Então, agora eu estou seguindo meu caminho e sinto pares de olhos em minhas costas. Tomo a estrada de volta para o buraco de onde eu caí, e ninguém se dispõe a me dizer como subir novamente.
Tudo bem, eu consigo ir sem ajuda.
Agarro as raízes das árvores com toda minha força e começo minha subida. Escalo pelas paredes espirais e cravo minhas unhas na terra, impulsionando-me para cima. E após um longo tempo, sinto minhas mãos tocarem a grama. A grama certa, do meu mundo. Aquela verde e áspera.
Agora eu estou apenas eu. Porque quando caí, levei tudo comigo e a força da gravidade me ajudou, mas ao voltar para cima, retornei sozinha.
Em pé, eu olho para meu vestido sujo de terra e de sangue de dragão. Observo meus pés descalços, minhas mãos calejadas e meus cabelos soltos e desgrenhados. Volto-me novamente para o círculo em aberto e grito bem alto:
Perdi minha muiteza não é?
E uma voz conhecida dos sonhos me responde risonha: Eu sempre soube que não.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Alice me persegue

Ei Alice, pare de me dizer como o seu país é legal. Pare de tentar me levar até um mundo diferente desse que eu vivo.
Será que você não vê que o chão que meus pés pisam é esse? E que minha cabeça deveria, por tradição, pertencer a esse mundo também?
Então faça o favor de parar com essas suas tentativas de me fazer voar em outro céu, porque eu não posso voar nem mesmo nesse céu em que estou.
Alice, pare com essas suas fantasias. Eu não quero ouvi-las mais! Você sempre faz isso; sempre me enche a cabeça com cores que são mais bonitas do que as da minha própria realidade.
Você faz com que pareça que o seu mundo é melhor que o meu, e eu sei que é. Mas pare! Porque o seu mundo NÃO EXISTE.
Os personagens legais e gentis são todos inventados por você, e eu dou vida a eles.
Então vamos parar com isso antes que eu me iluda novamente para depois cair do cavalo e dar de cara com o que é real. Eu não quero mais ficar dividida entre sonhar ou acordar. Não quero mais fingir que um dia posso ter tudo o que você tem aí no seu cantinho, Alice. Porque eu nunca vou ter nada disso, eu nunca vou ser nada disso. E não me venha querer apresentar o seu gato bonito e dizer que conhece um chapeleiro maluco, porque essas são pessoas que eu nunca vou ter na minha vida.
Pare com isso de querer dividir seu mundo comigo. Eu não o quero.
Eu quero apenas minha cabeça bem no lugar, e meus pés bem no chão. E se isso implica não sonhar, então que seja. Nunca tive sonhos que se concretizaram mesmo. E eu descobri que sonhar não leva a nada.
Então, por favor, pare de me fazer sonhar, Alice.
Porque agora eu acordei de vez, e vou jogar meus livros de contos de fada no lixo. Eu vou queimar minhas fantasias de princesa e vou enterrar o castelo que eu construí pensando que um dia ele se tornaria real. Eu vou quebrar tudo o que restou do mundo mágico que um dia eu pensei existir.
E eu não quero ouvir mais a sua voz na minha cabeça me dizendo para voltar para a ilusão. Não quero você me seguindo. Então, Alice...ALICE! Me deixe em paz. Pare de me perseguir.



Bem, você construiu um mundo mágico
Porque sua vida real é trágica
Se não é real
Você não pode sentir com seu coração
E não vou acreditar
Porque se é verdade
Você pode ver com seus olhos até mesmo na escuridão.

sábado, 8 de maio de 2010

Outono

Gotas caem do céu fingindo ser chuva, e as nuvens já assumiram o tom do meio termo, a incerteza do cinza.
O vento vai ficando mais frio a cada dia e as árvores já começaram a se despir do verde.
Então chegou mesmo o outono?
Logo eu que gostava disso, já não vejo muita felicidade. Mesmo assim sei que ainda gosto.
Não deixo de notar, porém, que a beleza dessa estação é triste, porque ela não se deixa enganar.
As gotas que caem são como lágrimas vindas de um céu sem vida. Lágrimas que molham o que restou das folhas que costumavam ser mais verdes e que agora permanecem no silêncio das praças, jogadas ao chão.
E as árvores também atingiram seu ponto equilibrado. Nem pretas e nem brancas, porque resolveram que queriam ser apenas marrom.
Há algo de errado nisso, e acho que talvez seja só porque eu não estou gostando dessas cores de tons pastéis. A intensidade de janeiro ainda está vibrando pela minha pele.
Mas então é outono, e meus pés descalços andam pelo asfalto molhado agradecendo por não estarem queimando no sol de verão. Então, mais uma vez, chegaram os meses incertos de outra estação.
Pensando bem, eu gosto dessa mudança toda. Eu gosto de saber que o ar que eu respiro está diferente. Gosto do cheiro de orvalho, do cheiro de pinheiro e do leve aroma de café quente vindo das casas vizinhas.
Eu vejo as árvores acenando para mim com seus galhos secos, e percebo que elas também gostam de trocar um pouco a roupa.
É, o outono chegou para mudar.Trazendo com ele tudo aquilo que veio, desta vez, para ficar.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Contradição

Um parêntes entre a liberdade e a prisão. Um pouco de cada um, talvez.
Mas eu não gosto de duas medidas.
Um trégua entre o tudo e o nada.
Um ponto de interrogação antes do sim e depois do não. Talvez? Talvez. Incerto demais pro meu gosto.
Tenho os dias do branco, e tenho os dias do preto.
Não existe balanço, e cinza é meio termo demais.
Se é quente pode me fazer gostar de frio. Se é frio eu gosto de preferir o quente.
Um terremoto forte e doce e salgado se juntam, mas porque se não ficam bem juntos?
Não gosto de um lado só, nem do outro só. Não gosto do meio termo e nem dos dois juntos.
Então se quem quase vive já morreu, porque quem quase morreu ainda vive?
Como faz?
Talvez não haja mesmo solução, e a tradução de Brenda seja contradição.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Seja


Seja um sorriso quando não houver motivo.
Seja real, o toque de uma verdade consistente.
Entenda que sonhar pode ser legal, mas não se esqueça que o choque de realidade pode ser fatal.
Seja aquilo que você é, queira aquilo que você tem.
Tire vantagem de tudo que te faz bem.
Pise fundo no acelerador e vá mais além.
Aprenda a aprender com o aprendizado dos outros.
Lembre-se de deixar-se viver antes de dizer que quer morrer.
A vida e a morte andam juntas, mas não são amigas.
Você é só o troféu que elas estão disputando.
Então seja com toda a força que puder ser.
Aquilo que é verdadeiramente seu, você não pode perder.
Tenha a coragem de dizer que tem medo. Ninguém liga mesmo.
E se houver armadilhas e você cair, limpe o barro dos sapatos e levante-se.
Porque é assim que se aprende a ser grande.
E quando cair, caia sozinho. Não leve as lágrimas, não as deixe cair junto com você.
E quando levantar, sorria. Deixe que todos se perguntem porquê você ainda está sorrindo.
Então pegue sua mochila, dê a partida e recomece.
Junte suas lembranças, amarre-as na memória.
Guarde aquilo que for para ficar,
Jogue fora o que tiver que jogar.
Plante sua semente num terreno fértil e deixe-a crescer.
Quando água invadir seus olhos, regue-a.
Quando tombos atrapalharem sua caminhada, adube-a.
E plante outra mais bonita, quando aquela enfim florescer.
E se, nessa jornada, houver tristeza, que você possa mergulhar o mais profundamente possível nela, desfrutando-a e aproveitando cada sabor amargo que esta lhe oferecer.
Você terá exatos cinco minutos para se afogar em suas mágoas. Sinta-as, abrace-as. Descarte-as.
E siga em frente.
Porque se você parar pra pensar, nada aqui é definitivo.
Seja agora, enquanto pode, enquanto é.
Veja você que, no final das contas, o produto será positivo.

domingo, 2 de maio de 2010

Para você guardei o amor

Para você guardei o amor; guardei tudo o que podia. Guardei minha maior saudade para quando você viajasse e meu melhor beijo para quando voltasse.
E onde está você agora? O que eu faço com meus textos que só sabem falar sobre a forma como eu te imagino?
Então você não vem? E eu fico aqui e me pergunto se um dia virá.
Só peço: por favor exista. Eu te idealizei de mil formas e formatos. E você não vai virar realidade? Não tem problema se não fores tudo que peço, porque eu sei que és tudo que eu preciso e que me bastará.
Então venha e diga que estava esperando por mim também. Porque eu sei que você deve existir só para mim em algum lugar, assim como eu existo só para você. Eu sei que você tem que existir, porque meu coração está trancado com um chave que só tem guardada nos seus bolsos. Me diga que guardou a minha chave bem guardada.
E, por favor, não me deixe esperar a vida toda, porque você deve saber que eu o farei se preciso for, mas eu não quero que isso seja em vão. Venha me salvar dessa insegurança e prove para mim que estás aqui e que é aqui que ficarás.
Porque eu treinei viver sem você, eu treinei porque você poderia achar um absurdo o tanto que eu te quero aqui perto de mim. De tanto treinar, acostumei. Eu quero que você venha, porque eu não quero ter que me acostumar com sua ausência. Eu só quero que você apareça, que seja o homem que vai me olhar de um jeito que vai limpar toda a sujeira, o rabisco, o nó. O homem que vai ser o pai dos meus filhos e não dos meus medos.
Fico aqui só para esperar suas mãos nas minhas, e quando chegar pode me pegar e me levar porque eu sou desde sempre, só sua.
Para você guardei o amor e tudo que há de melhor em mim, então venha buscar, e eu sei que saberei quando te encontrar. Sei que será você e só você, como sempre foi.
Não me peça para explicar, só me encontre para que eu saiba que você me procurava. Me encontre para que eu possa entregar tudo o que guardei para ti e para mais ninguém. Ou então deixe-me te encontrar.
Me encontre para que eu possa te encontrar numa realidade sólida e não só em meus sonhos. E seja ele, seja o homem que perde um segundo de ar quando me vê.
Apenas me descubra em meio a multidão com a vontade que eu tenho de te descobrir, porque só para você eu guardei meu amor e o meu coração só você pode abrir.



                    "Tanta gente que eu conheci
                                Não me encontrei, só me perdi
                                                  Amo o que eu não sei de você.
                    Como é o seu rosto? Qual é o gosto que eu nunca senti?
                                         Qual é o seu telefone?
                                                      Qual é o nome que eu nunca chamei?"

sábado, 1 de maio de 2010

Sobrevida

Eu cansei.
E neste caso, o cansaço é apenas um mero ponto de vista. Então, eu vou abusar dele.
Eu estou morta, na verdade. Estou esgotada, no meu nível máximo de carga. Chego a pensar que lido muito bem com todo esse caos, já que meus pedaços ainda não foram arremessados corpo a fora. Mas por que?
Eu sinceramente acho que não tenho motivos suficientes para estar assim, mas o meu cansar é total.
É um cansar físico, químico e mental. E eu não posso controlá-lo. Nem mesmo sei de onde vem essa minha respiração ofegante.
Chego a imaginar minha cabeça cheia de grãos de areia que insistem em ficar e me atormentar. Porque é o que parece, pequeninos grãos de problemas, misturados com uma verdade sólida que eu não quero aceitar. Parece que nada disso está realmente acontecendo, e que eu só estou exagerando e piorando as coisas, de novo. Mesmo assim, eu estou farta.
E como é estar farta? eu estou farta de minhas músicas, mas eu nem as ouço mais tanto assim.
Acabei por deixá-las de lado, assim como o resto da minha vida. Assim como minhas fotos, meus passeios e minhas risadas. Acho que agora eu sou invisível.
Andei me concentrando em apenas um ponto da vida, e eu nem sei qual é.
Não sei porque fiz isso, mas sinto que me desliguei de mim como se estivesse focada em algum outro ser, algum outro batimento cardíaco que não fosse o meu.
Sera que é assim quando a gente morre? Ótimo! Pode me chamar de idiota agora, porque eu consegui me matar socialmente.
Afinal de contas, qual era a minha intenção? Eu estou perdida mais uma vez e não consigo me achar. Só o que eu vejo é esse personagem idiota a quem eu me prendi.
- Ei, o que você fez comigo? É só a sua vida que eu conheço agora.
Talvez eu ainda esteja sonhando acordada ou talvez eu tenha morrido externamente, então vou apenas fechar os olhos agora e deixar-me embalar por esse cansaço até que ele me guie para o mais profundo sono. Quem sabe assim eu sonhe da maneira correta, como se deve sonhar, com as pálpebras bem fechadas e quem sabe depois de uma longa noite de sono eu acorde de verdade desta vez, para a minha própria vida, de olhos bem abertos para aminha realidade. Eu vou sobreviver. Ou não.

Quando eu olho para trás eu vejo tanto esforço, tanta dedicação, tanto trabalho.
Para quê? E a minha vida?
A minha vida eu guardei para depois.
Mas eu nunca pensei que poderia não haver um depois.