domingo, 11 de abril de 2010

Oca

Depois de voltar daquela casa das minhas lembranças, e fingir que tudo estava confortável e familiar para mim, eu resolvi surtar.
Eu escolhi não usar blusa de frio e não prender o meu cabelo. Eu escolhi não sorrir e não tentar socializar.
Hoje eu decidi andar de meia, não por falta de chinelo. Eu decidi dormir com lápis nos olhos, sabendo que amanhã acordarei parecendo um panda gordo.
Eu deixei-me sem regras e sem padrões. Eu me permiti. Dei uma folga para mim mesma e não fui aproveitar o sol lá fora desses dias frios. Talvez eu nem tenha motivos suficientes para descansar, mas só por hoje eu resolvi não ter razão.
Eu me esparramei no chão do meu closet só porque tive vontade, ou não tive coragem de levantar. Tanto faz. Eu saí sem nem mesmo pentear o cabelo.
Eu me permiti abrir a janela, sentir o vento gelado cortando-me e olhar a lua, quando eu deveria estar estudando ou dormindo.
Porque hoje, eu não ligo, não me preocupo o bastante para que isso me afete.
É só uma sensação vazia, estranha. Hoje, eu gostei de não precisar falar; eu fui invisível durante o dia, e estou sendo autista enquanto a noite passa. E se quer saber, eu não me importo, porque não estou plenamente ciente do que faço. E agora, eu estou sentada no chão com a cabeça tombada sobre meus joelhos, como se fosse um pacote. E eu nem consigo pensar, ou talvez eu nem queira pensar. Porque nesse momento eu estou oca, e na verdade nem é só nesse momento, já que eu passei o dia todo assim.
Então eu decidi que estou bem por estar oca, e que não quero ter que ser eu hoje, não quero ter que ser ninguém. Não quero ter que me enfrentar. Não quero ter que me levantar do chão para sentar numa cadeira.
Só por hoje, eu vou cumprir o que eu escolher fazer e não vou mudar de idéia por ninguém.
E a minha escolha voluntariamente involuntária é de não viver, não precisar viver hoje e deixar-me apenas na ilusão do simples existir.

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