terça-feira, 13 de abril de 2010

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Tem algo errado com a minha letra, e eu acho que o problema é você. O meu texto está incoerente. A minha caligrafia está garranchosa e até minhas palavras perderam os acentos.
E os meus gráficos? Cadê? Você os entortou e trocou os números de tempo por espaço.
Talvez eu tenha deixado você me guiar por tempo demais.
Talvez eu tenha permitido que você mudasse a minha forma de escrever.
Mas agora, pouco me importa os seus sinônimos, porque eu quero minhas frases de volta. Eu quero minhas contas, minhas estrofes e meus parágrafos. E quanto a você, pode ficar com sua caneta preta sem tampa. Pode ficar com seu caderno velho de rascunho. Pode ficar até com a letra que você me roubou, com os meus versos que você rimou; eu não os quero mais. Não quero mais suas frases subordinadas, seus substantivos sem substância e não quero nunca mais conjugar verbos futuros.
Porque no final das contas eu descobri que nem soletrando você consegue entender o que eu digo. E descobri que seu coração é um constante paradoxo. Então pode ficar também com os adjetivos que você mentia para mim, e com os pronomes pessoais que você acusava. Fique com os advérbios que por tantas vezes foram gritados como se já não fossem intensos, e eu te dou total liberdade para tomar posse das figuras de linguagem que você me comparava.
Pode levar tudo porque, parando para pensar, você nunca nem tentou resolver meus problemas matemáticos; nenhum de nós nunca tirou 10 em química e ambos sempre pegamos recuperação em física.
Então, já que esclarecemos tudo, se quer saber, eu nunca gostei do seu português mesmo e você nunca nem teve muito conteúdo útil. :)

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