sexta-feira, 30 de abril de 2010

Nossa época boa

Naquela sala festiva é onde eu costumava dormir. Era assim, tudo jogado cada um para um lado.
No sofá o Rodrigo roncava e nos colchões a gente brigava pela coberta.
Acordava todo mundo junto e a primeira cara da manhã era a de riso, um rindo do sono do outro.
No banheiro, era uma loucura e eu lembro que formávamos uma fila muito disputada na porta pra ver quem ia primeiro. E aí era a parte mais divertida, o café.
Era um tal de 'me passa a manteiga' pra cá, e 'sai da minha cadeira' pra lá que os mais velhos sempre iam comer lá fora. E depois chegava aquele momento ' o que vamos fazer agora?', já que não havia nenhuma atração naquela cidadezinha pequena. Aí sim que começava a festa: inventávamos todo o tipo de distração possível. Era detetive, vôlei, guerra de almofadas e conversas engraçadas. O almoço era uma luta só pelas batatinhas fininhas e crocantes do bigode e pela famosa galinhada da zilda. Tudo isso eu já sabia de cor, era o costume mais forte que tínhamos.
E então os tempos mudaram, e a gente cresceu. Eu parei de viajar para lá e parei de dormir na sala, e eles nunca mais vieram nos ver. Foram tempos normais, como se tudo o que tivéssemos vivido fosse guardado numa caixa e trancado lá dentro para não mais sair. Os nossos encontros passaram a ser rápidos, apenas em casamentos ou enterros. Os contatos foram se perdendo e nem fazíamos mais questão de nos falar.
Até que um novo evento na familia nos uniu novamente e, para a minha surpresa, foi como se tivesse sido sempre assim. As almofadas eram as mesmas e nossas conversas divertidas ficaram melhores, inclusive a fila na porta do banheiro e a disputa pela comida.
E eu parei pra pensar em como foi que deixamos tanto tempo passar assim, em vão.
Concluí que, na verdade,  nós nunca crescemos realmente e que aquela era a nossa época boa.
Descobri que mesmo com o tempo, as batatinhas do bigode nunca deixaram de ser crocantes e percebi que mesmo que a circunstância nos separe, isso que nós temos de bom quando estamos juntos nunca vai mudar.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Machismo

Não me venha de novo com essas suas idéias absurdas, eu não quero ouvir.
Saiba que essa sua voz grossa não causa efeito em mim. Sinto muito, mas o fato de você cuspir no chão não o torna melhor que eu. Então engula esses seus palavrões e engasgue com os acentos.
O que você estava esperando? Que eu abaixasse a cabeça e concordasse só porque você quer que eu o faça? Acho que esqueceram de te avisar, mas aqui você não manda nada.
Que tal agora você baixar a bola e escutar o que eu tenho a dizer? Será que eu também vou ter que te ensinar a ser homem? Ou você acha o quê? Que é homem só por que usa calças compridas e calça 40? Só por que diz palavrões e 'pega todas'? Só por que sabe dar laço na sua gravata?
Acha que é homem só pelo simples fato de falar grosso e ter um saco no meio das pernas?
Então sinto lhe informar que você está errado. E nem pense em começar com essa ladainha toda não. Nem pense em ter um ataque e ficar todo nervosinho como se fosse uma mulher na tpm porque você sabe que eu só estou te dizendo a verdade.
Contente-se com o fato de que poucas mulheres vêem que por trás desses músculos adquiridos por bombas, você é apenas um garoto perdido e sem nenhuma margem. Não passa de um brutamontes com braço de mais e cérebro de menos. Que acha que o mundo gira em torno de si mesmo e que bonito é dançar o créu e ver mulher pelada. Não adianta você negar, porque eu sei que todo esse seu jeito másculo é só para impressionar e que na hora do 'vamos ver' você foge como uma criança mimada.
Portanto, não tente se quer argumentar comigo novamente já que nem argumentos úteis e plausíveis você tem. Não tente me tratar como qualquer uma dessas mulheres que você está acostumado a lidar. E não pense nem por um segundo que pode erguer a voz para mim com todo esse seu machismo e que pode exigir algum tipo de tratamento especial, porque só no dia em que você aprender a ser homem, eu te tratarei como tal.
" Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda.
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem. "

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Eu gosto porque gosto

Eu posso achar uma razão nisso. Um motivo pra gostar do seu sorriso. Posso encontrar o porquê de suas mãos se encaixarem tão bem nas minhas.
Eu consigo descobrir o significado do meu derretimento total quando nossos olhares se cruzam.
Quando o sol reflete nos seus cabelos soltos, eu sei que existe uma razão para refletir em mim também.
Eu sei que posso encontrar todas as palavras que respondem às perguntas que vejo no seu olhar.
Talvez haja para tudo isso uma única explicação. Porque eu tenho certeza que é alguma coisa.
E eu tenho plena consciencia da minha frequência cardíaca quando nossos braços se encontram. Talvez você também possa encontrar uma razão para isso.
Eu sei que posso achar uma flor dentro do seu coração. Eu sei que, se eu procurar, posso encontrar até mesmo uma canção, batida como melodia.
Mas eu não sei se eu quero encontrar um motivo para minhas pernas tremerem, não sei se existe uma razão que eu queira mesmo descobrir. Porque quando eu penso bem em você, não preciso de significado para isso.
Eu gosto dos seus olhos simplesmente porque gosto. Gosto da sua cara de sono mesmo sabendo que ela não é nada bonita. Eu gosto de tudo que há em você, e gosto que você esteja em tudo o que há pra mim e só. Isso me basta. Basta saber que é você e eu e ninguém mais.
Para mim sempre foi assim e me basta apenas saber que eu não preciso de razão nenhuma pra gostar só de você.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Conteúdo

Tem algo errado com a minha letra, e eu acho que o problema é você. O meu texto está incoerente. A minha caligrafia está garranchosa e até minhas palavras perderam os acentos.
E os meus gráficos? Cadê? Você os entortou e trocou os números de tempo por espaço.
Talvez eu tenha deixado você me guiar por tempo demais.
Talvez eu tenha permitido que você mudasse a minha forma de escrever.
Mas agora, pouco me importa os seus sinônimos, porque eu quero minhas frases de volta. Eu quero minhas contas, minhas estrofes e meus parágrafos. E quanto a você, pode ficar com sua caneta preta sem tampa. Pode ficar com seu caderno velho de rascunho. Pode ficar até com a letra que você me roubou, com os meus versos que você rimou; eu não os quero mais. Não quero mais suas frases subordinadas, seus substantivos sem substância e não quero nunca mais conjugar verbos futuros.
Porque no final das contas eu descobri que nem soletrando você consegue entender o que eu digo. E descobri que seu coração é um constante paradoxo. Então pode ficar também com os adjetivos que você mentia para mim, e com os pronomes pessoais que você acusava. Fique com os advérbios que por tantas vezes foram gritados como se já não fossem intensos, e eu te dou total liberdade para tomar posse das figuras de linguagem que você me comparava.
Pode levar tudo porque, parando para pensar, você nunca nem tentou resolver meus problemas matemáticos; nenhum de nós nunca tirou 10 em química e ambos sempre pegamos recuperação em física.
Então, já que esclarecemos tudo, se quer saber, eu nunca gostei do seu português mesmo e você nunca nem teve muito conteúdo útil. :)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Egoísmo cerebral.

Andei pensando e acabei por achar que meus textos andam meio compridos demais, e que talvez eu esteja indo rápido demais também.
O caso é que eu até tenho tudo bem certo aqui na minha cabeça, separado por vírgulas e estrofes, mas não me peça para colocar para fora, poque não pode ser expressado em palavras nem escritas e nem ditas, e não pode ser demonstrado com ações e atitudes.
E eu sei que é estranho isso e até meio egoísta por parte do meu cérebro que pensa só nele e não me deixa compartilhar os meus próprios raciocínios, mas apenas me deixe um pouco sozinha para que eu organize essa bagunça.
Apenas me dê mais algum tempo, para que eu possa pelo menos tentar colocar tudo em ordem novamente e para que eu possa tentar parar com essa mania de querer falar de mil assuntos em uma única palavra e resolver mil problemas com uma única solução.
É só disso que eu preciso no momento, um pouco de tempo e organização para conter esse meu egoísmo cerebral.
É.
Acho que é só.
Não pode ser tão dificil assim. :z

domingo, 11 de abril de 2010

Oca

Depois de voltar daquela casa das minhas lembranças, e fingir que tudo estava confortável e familiar para mim, eu resolvi surtar.
Eu escolhi não usar blusa de frio e não prender o meu cabelo. Eu escolhi não sorrir e não tentar socializar.
Hoje eu decidi andar de meia, não por falta de chinelo. Eu decidi dormir com lápis nos olhos, sabendo que amanhã acordarei parecendo um panda gordo.
Eu deixei-me sem regras e sem padrões. Eu me permiti. Dei uma folga para mim mesma e não fui aproveitar o sol lá fora desses dias frios. Talvez eu nem tenha motivos suficientes para descansar, mas só por hoje eu resolvi não ter razão.
Eu me esparramei no chão do meu closet só porque tive vontade, ou não tive coragem de levantar. Tanto faz. Eu saí sem nem mesmo pentear o cabelo.
Eu me permiti abrir a janela, sentir o vento gelado cortando-me e olhar a lua, quando eu deveria estar estudando ou dormindo.
Porque hoje, eu não ligo, não me preocupo o bastante para que isso me afete.
É só uma sensação vazia, estranha. Hoje, eu gostei de não precisar falar; eu fui invisível durante o dia, e estou sendo autista enquanto a noite passa. E se quer saber, eu não me importo, porque não estou plenamente ciente do que faço. E agora, eu estou sentada no chão com a cabeça tombada sobre meus joelhos, como se fosse um pacote. E eu nem consigo pensar, ou talvez eu nem queira pensar. Porque nesse momento eu estou oca, e na verdade nem é só nesse momento, já que eu passei o dia todo assim.
Então eu decidi que estou bem por estar oca, e que não quero ter que ser eu hoje, não quero ter que ser ninguém. Não quero ter que me enfrentar. Não quero ter que me levantar do chão para sentar numa cadeira.
Só por hoje, eu vou cumprir o que eu escolher fazer e não vou mudar de idéia por ninguém.
E a minha escolha voluntariamente involuntária é de não viver, não precisar viver hoje e deixar-me apenas na ilusão do simples existir.

sábado, 10 de abril de 2010

Mau gênio

Eu tento me controlar, mas eu não sou santa. Por que é tão dificil ser quem somos? Por que a culpa sempre cai nessa fase chamada Adolescência? Talvez ela nem saiba do que está se passando.
E as vezes me dá uma raiva de tudo isso, sabe? Uma raiva dessas pessoas egocêntricas que pensam que o mundo se resume a próxima coleção outono/inverno. Uma raiva de mim, do mundo e de tudo.
Tenho uma raiva insana quando não acreditam no que eu digo e quando não colocam fé naquilo que eu faço.
Eu posso citar um milhão de exemplos do que eu não quero fazer. E eu não quero fazer faculade, droga! Não quero ter que sentar atrás de uma mesa de escritório quando fizer sol lá fora. E, me diga, por que isso tudo se resume a uma única vida? E se eu quiser ser jornalista, mas quiser ter uma banda também? E se eu gostar de biologia e gostar também de física? Eu detesto escolher. Decidi que detesto ter mil problemas, detesto o fato de existir mil estradas e detesto ter mil gostos diferentes.
Qual é a vantagem de se gostar de duas pessoas? De querer combinar chocolate com queijo?
Eu não gosto disso. Não gosto de encruzilhadas.
Na verdade, eu não gosto é de nada, eu penso em explodir a qualquer momento e me sinto nesse direito.
Eu descobri que não to nem aí mesmo. Descobri que cansei de tentar evitar que o circo pegue fogo.
Cansei disso; cansei de me culpar pela culpa dos outros, de me bater pela raiva alheia.
Então será que agora eu posso pedir pro mundo parar? Porque eu não quero descer, só quero dormir um pouco mais antes de ter que abrir meus olhos para essa realidade idiota.
E quando eu acordar, eu quero ser irresponsável, quero ser imprudente e idiota. Eu quero estar segurando um fósforo quando tentarem apagar as chamas desse teatrinho ridículo. Porque eu ainda estou no meu direito, afinal não dizem que adolescente é tudo assim mesmo, sem juízo? Então eu também vou ser e vou colocar a culpa toda nessa fase retardada da vida.
Droga! Eu não tenho 30 anos, mas tenho motivos suficientes para agir como se tivesse. Por isso agora eu tomei outra decisão; danem-se os motivos. Eu vou é pintar meu cabelo de vermelho, fazer uma tatuagem no pescoço e colocar uma argola no meu nariz. Dane-se a sociedade, a responsabilidade e a vaidade.
Nem ligo não, já que me ignoraram quando eu me comportava impecavelmente bem. Não está bom o bastante ainda? Então nunca vai estar melhor. Não vou mais tentar ser uma boa pessoa, controlada e responsável.
Não vou reprimir mais essa minha explosão.
Eu tenho mau gênio mesmo. E daí? Acho que até gosto.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Receita de Homem

Não sei mais se ser perfeito, é ser uma soma de tudo.
Acho agora, que isso é uma questão de equilíbrio entre coisas boas e ruins. Afinal, não queremos homens frios,
mas também não precisam ser grudentos.
Homem pra ser perfeito, tem que ser divertido,
mas saber diferenciar quando o momento for sério.
Homem, tem que ser cheiroso,
mas não pode tomar banho de perfume.
Homem que é homem, tem mesmo é que ser cavalheiro como um ato de gentileza,
porém reconhecendo que homens e mulheres tem direitos iguais.
Homem de verdade, tem que ser romântico sem ser meloso.
Tem que ser arrumadinho sem ser muito vaidoso.
Pra ser homem, tem que ser sensível sem deixar de lado seu jeito masculino.
Nós não queremos homens magrelos, mas agradecemos se não forem grandalhões. Gostamos que sejam mais altos que nós, mas não tanto a ponto de não alcançarmos em seus cabelos.
Homem que nos agrada, é aquele que nos protege, sabendo a diferença entre proteger e monopolizar. Porque não é dificil nos fazer gostar. 
Homem certinho demais é entediante, e errado demais é irritante.
Tem que ser homem com ginga de menino. Uma mistura de flor com vinho.
Não adianta ser nada ou tudo demais.
Tem que ser inocente, sem deixar de ser malandro.
Tem que saber portar-se de terno, sem parecer que está marchando.
A perfeição não está em ser bom em tudo, mas em ser o equilíbrio entre o céu e o inferno.
E, se quer saber, pensando melhor... talvez não haja solução para esse mistério.
O que seria de nós se vocês fossem equilibrados? Se não fizessem uma besteira de vez em quando? O que seria das mulheres, sem os exageros dos homens? Sem aquilo que os distinguem? O que seria do perdão sem o errar?
Cheguei a conclusão de que definir um homem perfeito é mais dificil do que se imagina.
Porque receita de homem não é tão simples assim... tem que ser tudo escrito certo, mas com uma letra ruim.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O Teatro Mágico

Não é só banda, nem só canção. Não é música pura ou voz e violão.
É simplesmente uma invenção. A junção da poesia com a emoção, a hamornia da palavra cantada como magia. O teatro nosso de cada dia.
Onde o palhaço tira da cartola um pássaro e deixa o garoto estático e o palco abre as cortinas para a fantasia; a sinfonia do Teatro Mágico.