sábado, 13 de março de 2010

O que há, menino?

De manhã, o campo estava bem verde, do jeito que você gostava quando fazíamos piquinique; o vento não era frio e o sol não estava queimando. A cesta e a toalha estavam combinando até, e eu tinha feito aqueles lanchinhos que você devorava olhando pra mim.
Então eu acho que não sei. O que deu de errado? as nossas saídas foram tão divertidas, e eu até que estava bonita.
Quando anoiteceu a lua estava inteira, o céu estava nu e eu, bom, eu estava ali, sorrindo para você.
Mas não sei o que aconteceu. Não foi culpa do mar, por que ele estava do jeito que nós costumávamos gostar, lembra? O restaurante era o nosso preferido, e tocava a nossa música. Até o garçom era simpático. Então o que há, menino?
Por que parou de usar aquele seu casaco bonito? Cadê você, meu sorriso maroto favorito?
Eu já nem sei mais onde foram parar nossas fotos, que ficavam na sua carteira. Ou meus presentes, que eram colocados na sua prateleira.
Qual é o problema que você não quer me contar? Onde estão seus braços, que antigamente costumavam me abraçar?
Eu não sei, mas acho que não gosto desse seu novo jeito. 
E eu até cheguei a pensar que eu era culpada por ter deixado tudo se desmanchar, por talvez ter colocado queijo demais no seu lanche, ou por ter levado uma toalha de mesa que você não gostou.
Mas agora eu realmente acho que o problema não sou eu.
Eu acho, menino, que você é que não gosta mais de sushi e nem dos meus quitutes, e que não ouve mais as nossas músicas boas. Eu acho que você nem é mais viciado em sorvete de café e que não me acha mais a menina dos olhos de avelã.
Eu acho que não sou mais nem a sua menina, e sei que você não é mais o meu você.
Então foi o seu jeito que mudou, e me irrita saber que ninguém nem me avisou.

Um comentário:

Toda ação gera uma reação. Eu agi, agora é vez de vocês reagirem. :)