quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Criança selvagem

Ela vai andando, como se ninguém mais estivesse olhando.
Vai, desfila com suas meias arrastão e suas idéias loucas.
O mesmo lápis preto escorrido pelos olhos, o mesmo batom cor de sangue e o mesmo riso debochado.
Rebola e desbola com a mesma elegancia.
Na boca não leva só a cor, tem também o sabor.
É como um morango doce demais, com um toque de veneno amargo. Lábios com strass.
Ela te olha, te ronda, te choca.
Não tem limite, não tem razão. Só o gostinho de ver todos os pares de olhos grudados nela.
Desfila, desanda.
Com passos longos e lentos. Sem pressa, sem pressão.
Ela sabe que o único propósito é chamar a atenção.
Usa e abusa.
Impressiona, intimida, assusta.
Com suas roupas curtas e descoladas, parece um tipo certo de garota errada, mas você sabe que ela arrasa mesmo.
Porque seus saltos agulha não cegam olhos alheios. Seus anéis não machucam. Suas unhas vermelhas e afiadas não arranham.
Ela não precisa do errado pra provar que é certa.
Ela só quer diversão. Só quer intimidar, saber ousar e brincar sem perder a essência. Porque ela pode.
Sim, você sabe que ela pode.
E daí se sua saia é desfiada, com cores loucas e sua meia é furada.
E dai se a blusa é rasgada e o cabelo é rebelde.
E mesmo se o salto não fosse alto, e o batom não fosse vermelho.. ela continuaria sendo ela mesma.
Com idéias ousadas, roupas erradas.
Porque ela não é fruta, mas também não é puta.
É só uma menina rebelde, sem nenhuma margem.
Garota mimada com pose de criança selvagem.


Um dia talvez ela mude, mas ele sabe que, no fundo, gosta desse seu jeito meio moribundo.

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