sábado, 12 de dezembro de 2009

Eu

Eu não sei como é ser eu.
Porque eu não sei como eu sou.
Eu transito entre dois lados, brinco com duas medidas e volto pelo lado contrário do oposto.
Enquanto eu penso, eu falo. Enquanto eu falo, eu escrevo.
Eu mudo de opinião, de lado, de perspectiva, de cor, de dia, de roupa, de cabelo, de idéia, de música, de pessoa, de amiga, de tudo e de nada.
Eu mudo, eu transformo, eu tiro do lugar.
Eu arrumo enquanto estou bagunçando. Eu brinco enquanto estou brigando.
Eu ouço e falo. Eu abro a boca pra falar e calo.
Eu só sei escrever sobre mim e meu egoísmo. Eu não sei me descrever, mas eu escrevo como se soubesse.
Eu sou sem ser. Eu torço pro meu time, sem realmente torcer. Eu danço sem me mexer.
Eu choro sorrindo, e sorrio chorando. Eu quero sem querer.
E eu não sou diferente, eu também não sou igual.
Sou inteiramente do bem, mas parcialmente do mal.
Eu acho as pessoas previsíveis, mas eu também sou.
Eu não tenho especialidade em nada, eu não tenho nada fora do normal. Eu não sei fazer nada que outras pessoas não saibam.
Eu não tenho um dom e um gosto preferido.
Eu não tenho preferencia, mas eu não gosto de qualquer coisa.
Eu me divirto sem divertir, eu rio sem rir.
Eu inverto, troco, refaço. Me coloco do avesso, do contrário, do errado.
Eu digo sem dizer. Vejo sem enxergar. Observo sem notar. Ouço sem ouvir.
Eu sou distraidamente atenta. Despreocupadamente preocupada. Normalmente diferente.
Assim como meus dias são coloridamente cinza, eu sou graciosamente sem graça. Lerdamente inteligente.
Eu sou uma mistura de maçã com pinga. Uma junção de nada com alguma coisa. Uma comida que é bebida.
Eu sou eu. Sem querer ser eu. Sem conseguir não ser eu. Sem saber quem sou eu.
Alheiamente eu.

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