quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

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As vezes eu penso em você, e lembro de nós; de como nós éramos.
E de repente me vem uma saudade. Me vem uma vontade de deitar no teu colo de novo e sentir teus dedos entrelaçando meu cabelo. Me vem uma ânsia de te ver, uma vontade louca de ouvir nossas risadas juntas soando como sinos em tardes doces. Uma saudade arrasadora de quando nós apostávamos corrida e você sempre ganhava. Uma saudade invasora de quando nós fazíamos alguma gororóba na cozinha, e devorávamos alí mesmo, na panela. Uma saudade de quando você vinha e me pegava no colo, me prendia para fazer cócegas em mim até eu não aguentar mais.
E agora eu me vejo parada, puxando as recordações que guardei de ti. Aquelas lembranças que eu tentei guardar tão fundo, a ponto de não mais alcançá-las. Eu me vejo te vendo.
E eu tenho medo. Eu descobri que eu tenho medo.
Medo de não lembrar mais de como era o tom da sua voz. Medo de não conseguir lembrar qual era a tua roupa preferida. Medo de não lembrar como era a tua risada. Medo de esquecer as expressões que teu rosto tomavam quando você estava brava. Medo de esquecer o gosto da tua comida. Medo de não lembrar mais a textura da tua pele e do formato de teu rosto. Medo de esquecer da maciez dos teus cabelos.
Medo. Simplesmente medo.
De não reconhecer mais teu perfume. De não recordar a essência daquele seu creme de dormir.
Medo. De não conseguir guardar na memória o cheiro dos seus bolinhos-de-chuva.
Eu tenho medo. Medo de não lembrar dos teus detalhes. Medo de esquecer nossos bons momentos.
Eu tenho medo. De, com o passar do tempo, me esquecer de como você era. Medo de, no fim das contas, lembrar só que alguém passou pela minha vida, e não saber quem. Medo de não ter nenhuma prova na memória de que a sua vida foi mesmo verdade; de que você realmente existiu e fez parte da minha vida.
Assim como eu tinha medo de te perder e te perdi. Hoje eu tenho medo de você se perder da minha memória. Eu tenho medo de perder o único pedaço de você que restou.
E quando eu olho o seu caderno de receitas inseparável, eu mal reconheço a caligrafia que está ali. E eu acabo percebendo que havia tanta coisa ainda para acontecer. Havia tanto para nós fazermos juntas. E você se foi e nem se quer me levou junto.
Percebo que houve tantas perguntas não feitas, palavras não ditas, momentos não vividos.
E me pergunto se era mesmo pra ser assim.
Descubro o que eu já sabia.. a falta que você me faz. O buraco dentro de mim, a falta de algo mais. A certeza de não estar completa. E a vontade de gritar por você, de deixar escapar por meus lábios uma palavra a muito não dita.
Eu tenho medo. Medo de me entregar a essa dor que você me deixou, e depois não conseguir voltar a vida. E por isso deixo outras três palavras vagando por aí para que, quem sabe um dia, você as encontre.
Eu te amo.

2 comentários:

  1. orra, brenda
    foi a coisa mais linda da vida isso!
    e mesmo que isso não traga mais ela de volta, você pode falar essas três palavrinhas todos os dias, porque ela vai encontrá-las sim e respondê-las da mesma forma, brendinha.
    eu tenho certeza :)

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  2. Admiro muito a sua forma de escrever,sempre que eu leio algum texto seu,não consigo segurar as lágrimas...

    Repito o que a Mariana disse :" e mesmo que isso não traga mais ela de volta, você pode falar essas três palavrinhas todos os dias, porque ela vai encontrá-las sim e respondê-las da mesma forma"

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