quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A casa

A casa não era bonita. Tinha um certo ar antigo e formava uma perfeito quadrado com suas paredes angulosas. A vista de fora também não era agradável, não o suficiente; as pessoas deslumbravam-se com seu tamanho e talvez por atingir uma certa imponência à primeira vista.
A altura dos portões que a cercavam fazia com que esta parecesse sombria, e as cores em branco-sujo deixavam-na triste, gélida, sem vida.
Contudo, era uma casa pomposa; tinha lá seus encantos, seus mistérios; tinha uma certa beleza.
Mas isso definitivamente não era suficiente para torná-la mais receptível, ainda mais agora que havia um gato sentado imóvel e fixo diante da entrada. Seus olhos de um tom amarelo berrante, daquele tipo que não se encara.
Isso não era novidade, já que ultimamente o animal tinha estado maior parte de seu tempo ali, focalizando o nada, assustando as velhas fofoqueiras dos arredores da casa.
Ainda posso sentir a nostalgia quando passo pela rua. Lembro-me da turma do bairro, que costumava apostar bolinhas de gude para ver quem tinha coragem de se quer tocar a campainha. Quanta bobagem!
E até hoje eu o vejo, aquele gato intacto; frio e calculista. Com seu pêlo liso de um preto fosco com um branco sem vida, combinando com a residência sombria, triste e gélida que esta sempre fora.

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