quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Ponto Final .

É hoje o meu dia do adeus.. do meu adeus.
Do adeus a todas as minhas notas mal tocadas, vozes desafinadas. Adeus a todos os 'quase' e 'talvez' que me inundaram. Adeus até àquela vida mal vivida, à existência mal existida.
Adeus?
Adeus, sim.
Adeus as musicas mal ouvidas, e mesmo àqueles livros mal lidos. Adeus, enfim, à todas aquelas vírgulas mal colocadas. Às interrogações e exclamações que me impressionavam. Aos acentos mal acentuados. E um adeus, bem 'adeusado' para os substantivos e verbos mal intencionados.
Adeus, também. Adeus...
Às somas e multiplicações. Às palhas e divisões.
Adeus as palavras não ditas, ou também àquelas ditas sem intenção. Adeus.
E um adeus especial a esse número, a esse 2009. Mais especial ainda aos dias dele. Um adeus.
Mais que um adeus, é praticamente um 'vá-com-Deus'. E então ele se vai.
Com quase lágrimas eu me despeço desse ano. Quase lágrimas.. de agradecimento. Algumas lágrimas que sobraram, confesso, das vezes que supliquei ao relógio para que andasse mais depressa. Ainda assim, são lágrimas, as ultimas desse ano.. assim espero.
E depois de me despedir de todos os empecilhos cegantes do meu céu azul particular, ou particularmente azul (o meu azul), eu digo um "Olá" feliz e cheio de expectativas a meu tão esperado ponto final.
Dou as boas vindas a esse pontinho tão significante aos escritores.
Dou, enfim, o meu pontinho; que dá então, fim à minha história nesse ano.
Meu ponto, que me possibilita uma nova história a ser escrita. Que encerra essa etapa que já começou errada. E dá início a outra fase.
Ao meu querido ponto final eu agradeço, pela chance desse novo texto. Um texto que dessa vez será escrito do jeito certo, com a nova ortografia e um título decente. O meu texto particular.
E você, ponto final, mesmo que tenha demorado a chegar e mesma que eu tenha demorado a te encontrar, é maravilhada e alíviada que eu te coloco nas minhas páginas.


Já vem tarde, meu querido ponto final, mas nunca tarde demais.

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

E agora é assim.. com meias palavras na boca já seca, torniquetes no coração e camadas de nuvens escuras e molhadas nos olhos.
Nuvens que esfumaçam minha visão já embaçada, encobrindo meu céu e escondendo meu sol.
Talvez não seja só agora, talvez tenha sido sempre assim.
Talvez o sol nunca tenha realmente aparecido e talvez.. talvez ele nunca apareça.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Vazio

As pessoas me destruíam com uma facilidade imensa, mas agora eu não sou mais porcelana.
Meu coração não soa mais como tilintar de taças. Hoje, o meu ritmo cardíaco se iguá-la aparentemente ao som de metais se chocando.
E depois de todas as crises e as dúvidas. Depois das decepções e destruições internas, eu fiquei anestesiada. O tempo parou para mim, mas o mundo continua girando.
É como um zumbi, e nesse momento não é só o ato de respirar que é involuntário. Eu fiz questão de me salvar, mas durante esse processo, acabei me deteriorando mais ainda.
O botão do piloto automático foi pressionado sem o meu consentimento. E eu ando por aí como um robô. Me vejo afundando mais e mais, com minhas bóias furadas, até chegar ao fundo.
Eu vou dizer adeus novamente, e desta vez isso não vai me machucar. Porque a partir de agora eu não sinto.
Os dias e as noites passam sem eu perceber. As pessoas falam comigo sem eu estar ouvindo.
Porque eu tentei me desligar de tudo que me destruia. Me afastar de tudo que me lembrava o que não aconteceu. E vim parar aqui, no vazio.
E agora eu simplesmente não sinto, não penso. Eu escrevo o que meus dedos querem escrever, mas não consigo supervisionar ou controlar o que faço. Eu vou e me deixo ir. Não consigo me conter, me controlar. Não sei mais a diferença de estar dormindo ou estar acordada, não consigo me direcionar, não sei mais me orientar.
Então eu fico aqui e espero. Espero que a escuridão acabe para que eu possa ver a luz novamente. Espero uma mão aparecer para me puxar e me trazer de volta a vida. Espero para despertar desse êxtase; esse transe em que eu paralisei. Mas eu não sei se posso voltar para um lugar de onde eu nunca saí.
E talvez... talvez não apareça ninguém. Talvez eu nem se quer tenha esperanças de aparecer alguém.
Talvez eu continue afundando nesse mar doce de falsas ilusões, vivendo sem viver. Sem ouvir minha respiração, sem sentir meu sangue pulsando. Exisindo só por existir.
 
 

"Então me avise quando meu coração parar,
            há uma possibilidade de eu não ter notado."

Eu

Eu não sei como é ser eu.
Porque eu não sei como eu sou.
Eu transito entre dois lados, brinco com duas medidas e volto pelo lado contrário do oposto.
Enquanto eu penso, eu falo. Enquanto eu falo, eu escrevo.
Eu mudo de opinião, de lado, de perspectiva, de cor, de dia, de roupa, de cabelo, de idéia, de música, de pessoa, de amiga, de tudo e de nada.
Eu mudo, eu transformo, eu tiro do lugar.
Eu arrumo enquanto estou bagunçando. Eu brinco enquanto estou brigando.
Eu ouço e falo. Eu abro a boca pra falar e calo.
Eu só sei escrever sobre mim e meu egoísmo. Eu não sei me descrever, mas eu escrevo como se soubesse.
Eu sou sem ser. Eu torço pro meu time, sem realmente torcer. Eu danço sem me mexer.
Eu choro sorrindo, e sorrio chorando. Eu quero sem querer.
E eu não sou diferente, eu também não sou igual.
Sou inteiramente do bem, mas parcialmente do mal.
Eu acho as pessoas previsíveis, mas eu também sou.
Eu não tenho especialidade em nada, eu não tenho nada fora do normal. Eu não sei fazer nada que outras pessoas não saibam.
Eu não tenho um dom e um gosto preferido.
Eu não tenho preferencia, mas eu não gosto de qualquer coisa.
Eu me divirto sem divertir, eu rio sem rir.
Eu inverto, troco, refaço. Me coloco do avesso, do contrário, do errado.
Eu digo sem dizer. Vejo sem enxergar. Observo sem notar. Ouço sem ouvir.
Eu sou distraidamente atenta. Despreocupadamente preocupada. Normalmente diferente.
Assim como meus dias são coloridamente cinza, eu sou graciosamente sem graça. Lerdamente inteligente.
Eu sou uma mistura de maçã com pinga. Uma junção de nada com alguma coisa. Uma comida que é bebida.
Eu sou eu. Sem querer ser eu. Sem conseguir não ser eu. Sem saber quem sou eu.
Alheiamente eu.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

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As vezes eu penso em você, e lembro de nós; de como nós éramos.
E de repente me vem uma saudade. Me vem uma vontade de deitar no teu colo de novo e sentir teus dedos entrelaçando meu cabelo. Me vem uma ânsia de te ver, uma vontade louca de ouvir nossas risadas juntas soando como sinos em tardes doces. Uma saudade arrasadora de quando nós apostávamos corrida e você sempre ganhava. Uma saudade invasora de quando nós fazíamos alguma gororóba na cozinha, e devorávamos alí mesmo, na panela. Uma saudade de quando você vinha e me pegava no colo, me prendia para fazer cócegas em mim até eu não aguentar mais.
E agora eu me vejo parada, puxando as recordações que guardei de ti. Aquelas lembranças que eu tentei guardar tão fundo, a ponto de não mais alcançá-las. Eu me vejo te vendo.
E eu tenho medo. Eu descobri que eu tenho medo.
Medo de não lembrar mais de como era o tom da sua voz. Medo de não conseguir lembrar qual era a tua roupa preferida. Medo de não lembrar como era a tua risada. Medo de esquecer as expressões que teu rosto tomavam quando você estava brava. Medo de esquecer o gosto da tua comida. Medo de não lembrar mais a textura da tua pele e do formato de teu rosto. Medo de esquecer da maciez dos teus cabelos.
Medo. Simplesmente medo.
De não reconhecer mais teu perfume. De não recordar a essência daquele seu creme de dormir.
Medo. De não conseguir guardar na memória o cheiro dos seus bolinhos-de-chuva.
Eu tenho medo. Medo de não lembrar dos teus detalhes. Medo de esquecer nossos bons momentos.
Eu tenho medo. De, com o passar do tempo, me esquecer de como você era. Medo de, no fim das contas, lembrar só que alguém passou pela minha vida, e não saber quem. Medo de não ter nenhuma prova na memória de que a sua vida foi mesmo verdade; de que você realmente existiu e fez parte da minha vida.
Assim como eu tinha medo de te perder e te perdi. Hoje eu tenho medo de você se perder da minha memória. Eu tenho medo de perder o único pedaço de você que restou.
E quando eu olho o seu caderno de receitas inseparável, eu mal reconheço a caligrafia que está ali. E eu acabo percebendo que havia tanta coisa ainda para acontecer. Havia tanto para nós fazermos juntas. E você se foi e nem se quer me levou junto.
Percebo que houve tantas perguntas não feitas, palavras não ditas, momentos não vividos.
E me pergunto se era mesmo pra ser assim.
Descubro o que eu já sabia.. a falta que você me faz. O buraco dentro de mim, a falta de algo mais. A certeza de não estar completa. E a vontade de gritar por você, de deixar escapar por meus lábios uma palavra a muito não dita.
Eu tenho medo. Medo de me entregar a essa dor que você me deixou, e depois não conseguir voltar a vida. E por isso deixo outras três palavras vagando por aí para que, quem sabe um dia, você as encontre.
Eu te amo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Por trás do vidro da janela

Por trás do vidro da janela, eu vejo as árvores mais verdes.
Eu vejo o asfalto molhando brilhando.
Eu vejo o reflexo do meu olho.
Por trás do vidro da janela, eu vejo os pingos de chuva gotejando como lágrimas correndo pela avenida e escorrendo pelo vidro.
Lágrimas e chuva. Lágrimas de chuva.E elas passam por mim, apostando corrida em suas jornadas fáceis.
Por trás do vidro da janela, eu vejo o sonho; vejo a realidade.
Por trás do vidro da janela, eu vejo a palma da minha mão, eu vejo a divisão entre a razão e a escolha. Eu me divido entre o ter e o não ser.
Por trás do vidro da janela, eu me colido entre a certeza da realidade e a magia da fantasia.
Eu me perco em ilusões desnecessárias, em idéias loucas enquanto vou deixando a rua para trás junto com tudo que ficou.

Por trás do vidro da janela,

eu vou me deixando para trás, e assumindo o meu 'piloto automático'.

E agora?

Eu nunca soube desenhar estrela, riscar o contorno daquelas pontas incertas. Nunca consegui fazer certo, ora as pontas ficavam abertas demais, ora fechadas demais.
E como um criança teimosa, eu sempre tentei. Tentei com régua, com lápis e com caneta. Não adiantou, mas tudo bem.. porque eu ainda sabia desenhar coração. Aqueles corações gordinhos e carismáticos, não tinha mistério nenhum.. era fácil como respirar, eu simplesmente soltava os meus dedos e eles encontravam os contornos sozinhos.
Mas aí eu me perdi. O tempo me deixou aqui, e eu nem sei como voltar.
E agora, o que eu faço? Se meus dedos perderam o encanto; Se meu sorriso perdeu a inocência.
E agora que os meus bonecos de palito ficaram tortos? E as minhas flores ficaram com pétalas desiguais?

O que eu faço agora, já que nem mesmo os corações me perdoaram?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A casa

A casa não era bonita. Tinha um certo ar antigo e formava uma perfeito quadrado com suas paredes angulosas. A vista de fora também não era agradável, não o suficiente; as pessoas deslumbravam-se com seu tamanho e talvez por atingir uma certa imponência à primeira vista.
A altura dos portões que a cercavam fazia com que esta parecesse sombria, e as cores em branco-sujo deixavam-na triste, gélida, sem vida.
Contudo, era uma casa pomposa; tinha lá seus encantos, seus mistérios; tinha uma certa beleza.
Mas isso definitivamente não era suficiente para torná-la mais receptível, ainda mais agora que havia um gato sentado imóvel e fixo diante da entrada. Seus olhos de um tom amarelo berrante, daquele tipo que não se encara.
Isso não era novidade, já que ultimamente o animal tinha estado maior parte de seu tempo ali, focalizando o nada, assustando as velhas fofoqueiras dos arredores da casa.
Ainda posso sentir a nostalgia quando passo pela rua. Lembro-me da turma do bairro, que costumava apostar bolinhas de gude para ver quem tinha coragem de se quer tocar a campainha. Quanta bobagem!
E até hoje eu o vejo, aquele gato intacto; frio e calculista. Com seu pêlo liso de um preto fosco com um branco sem vida, combinando com a residência sombria, triste e gélida que esta sempre fora.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Um estranho qualquer

É incrível a capacidade que algumas pessoas têm de nos fazer sorrir apenas com besteiras e papos desconexos.
É incrível como uma pessoa qualquer, contando seus casos e acasos em sua profissão, pode nos fazer feliz.
É incrível como um dia horrível, com lágrimas contidas, pode se tornar divertido apenas com um desconhecido e com a maneira como ele ri para você.. ou de você.
É incrível como uma corrida para o dentista pode fazer do seu dia, um dia mais feliz.

Sabe, são poucas as pessoas que me ganham assim, fácil. E ele tinha pouco mais de meia idade, com marcas de expressão e roupas surradas.
E o mais incrível é que ele é simplesmente um taxista, desses que você chama quando vai ao supermercado. Ele, justo ele, com seu taxímetro rodando. Ele, logo ele, nos fez perceber que a vida pode ser melhor. Aquele que nos fez notar que no fim do dia tudo fica bem, que um sorriso pode desarmar um coração.
Mas ele é apenas um taxista qualquer sem nada demais a oferecer, sem nada além de um sorriso e um riso incontido de palavras divertidas. Um estranho desconhecido, que não causou nada além de risadas num dia sem expectativas. Um senhor que apenas disse um "boa noite" divertido e contou estórias bizarras.. que apenas sorriu com os olhos e nos tocou com o coração bom. Mas isso bastou. Isso basta.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Teoria de um desconhecido

Lá estava ela de novo, sentada no chão de um banheiro qualquer, chorando um choro qualquer. Não era sua primeira vez; já era um costume.
Ela tinha amigos, tinha sim. Mas sentia-se tão insignificante e com problemas tão banais que achava que seria ridículo chorar na frente de outras pessoas. Pra que contaria seus problemas, se o mundo já estava cheio deles? Cheio de problemas mais sérios e mais importantes que os seus? Qual seria a utilidade disso?
Alguns minutos se passaram até ela voltar a si, enxugar as lágrimas e abrir a porta. Porem havia alguém ali; alguém parado do lado de fora do banheiro; alguém que provavelmente escutara os seus soluçoes escondidos.
- O que a faz chorar, menina? - o estranho perguntou baixinho.
- Nada. - ela respondeu perguntando-se a mesma coisa.
- Ah, eu sei. Nada. Mas você pode me contar por que o nada te faz chorar, não é?
- E adiantaria?
- Só vamos descobrir se adiantaria, se você me contar o que está se passando. Eu conheço esse seu jeito, já lidei com pessoas assim antes... Todos pensam que parecerão fracos ao derramar lágrimas que julgam sem importancia.
- Eu não sou fraca.! - ela retrucou, quase indignada com a quase ofensa.
- Não digo que você seja. Mas ok, façamos um trato então: Você me conta por que estava chorando, e eu, como sou apenas um desconhecido para você, finjo que entendo tudo e depois desapareço e você apenas finge que nada a aconteceu. Esta bem assim?

Então ela contou. Contou tudo, desde o começo. Tudo que era tão insignificante e tão doloroso. Contou tudo e mais um pouco. Quando terminou, deixou-se cair sentada no chão, esperando a reação dele; esperando que ele dissesse tudo aquilo que ela detestava ouvir " Isso tudo vai passar", " Não é bem assim".
Mas não. Ele apenas assentiu e foi-se. Caminhou em direção ao nada, sem trocar nenhum olhar; sem pronunciar nenhuma palavra. Foi-se.
- Ei, você não vai dizer nada? - gritou ela, espantada.
- Não. Nosso trato era esse: você me contava tudo e eu simplemsnete partiria. Até mesmo por que você não aceitaria qualquer conselho meu. Você é forte, e pode lidar com isso sozinha, não é?
- É. Mas você poderia reagir.. quero dizer..falar alguma coisa. - ela não daria o braço a torcer.
- Só se você quisesse ouvir.
- Ok. Vamos supor que eu seja fraca e não possa lidar com tudo isso sozinha. O que você diria?
- Então eu posso contar a minha teoria?
- Teoria?

Chegou então a vez dele falar. Contou a ela tudo que tinha que contar.
- A nossa existência se resume a uma queda de braço, menina. Imagine como se fosse você de um lado e a vida do outro. Vocês duas se apertam com toda a força que têm. Ora uma está por cima, ora outra está por cima. Porem, conforme os dias vão passando a vida vai ficando mais forte, os problemas começam a ajudá-la a te derrubar e você, já cansada, está quase desistindo. É quando seus dedos começam a atrofiar, seus músculos pesam, seus ossos já exaustos começam a tremer; quando você já nã pode mais suportar.
É aí que chega a hora de pedir um tempo. Você não irá resistir muito mais se não se der uma trégua. É nesse momento que você solta da mão do adversário; que você relaxa os músculos, alonga os dedos, descansa os ossos. E não adianta, porque você precisa desse tempo para descansar. No seu caso, você precisa tirar um dia para chorar, para gritar; precisa tirar um dia inteiro não só para ficar triste, mas para atingir o auge de sua tristeza. Ficar triste por tudo e por nada, se afundar nas suas mágoas. Porque se você não colocar tudo para fora, isso ficará guardado e virá a tona novamente. Ao contrário dessas besteiras que os outros dizem, você tem mesmo que se afogar em todos os seus problemas, chorar por todos eles.
Sabe, as pessoas costumam dizer umas as outras: "Vamos sair para você esquecer isso!", " Não fica assim não, deixa pra lá". Todo mundo fica tentando te colocar para cima, mas ninguém entende que esse é o seu dia de trégua, é o seu dia de colocar para fora tudo o que você tentou esquecer durante a queda de braço com a vida, e a ultima coisa que você deve fazer nesse dia é 'deixa isso pra lá', ou 'esquecer isso'.
Entenda, menina. Ninguém é feito de ferro. Até mesmo num jogo de futebol, existe um intervalo entre dois tempos. E se você não se livrar de todas as suas preocupações, quando voltar para o segundo tempo, você estará mais fraca do que antes. Pense nisso! Você precisa de um dia, dois ou até três para se recuperar. Para resgatar suas forças e partir para o ataque. O que há de errado nisso? você tem que de aceitar que é impossível guardar tudo para si e não vale a pena chorar escondido nos cantos. Não digo que você precise contar a alguém, mas coloque para fora. Grite alto para o mundo todo ouvir, se quiser. Chore se tiver vontade. Não se esqueça nunca que foi você quem pediu a trégua, e é você quem tem de renovar as forças.

Ela não disse nada por um longo tempo. Ele também não. Apenas se olharam como se tentassem entender o motivo de estarem trocando confidências e conselhos. E então, ele apenas sorriu, segurou nas mãos dela; mãos frias e molhadas de lágrimas.. e beijou-a na testa. Um beijo de 'se cuida', um beijo de 'adeus'. E partiu. Simplesmente partiu e quando ela deu por si já estava sozinha novamente, mas pronta para a corrida de sua vida, para o segundo tempo da partida; pronta para acrescentar na sua vida essa misteriosa teoria. Essa teoria de um desconhecido.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Hoje eu quero escrever. Escrever tudo, nada e só. Escrever qualquer coisa que me vier à cabeça.
Escrever apenas com palavras bonitas, doces e salgadas.
Escrever um sorriso, uma lágrima, um dia de sol. Escrever um jardim florido, uma cama quentinha...
Descrever sentimentos, colorir paisagens, brincar com a lama, a chuva, o tempo.
Hoje eu quero dizer.. dizer coisas sem sentido, contar piada, falar em silêncio.
Porque hoje é um dia bonito, umdia comum que eu quero memorizar.
Guardar um pedacinho de nuvem, uma gotinha de chuva, uma pétala de flor, uma lasquinha do céu.

sábado, 17 de outubro de 2009

Caixinha de lembranças

Será que não tem um jeito de você me emprestar esse seu sorriso para eu guardar numa caixinha? Assim como eu tento guardar as gargalhadas altas daquele dia de verão. Da mesma forma como eu tive vontade de guardar aquele abraço num dia frio. Poderia eu simplesmente pegar aquele beijo naquela tarde cor-de-rosa e armazená-lo nesta minha pobre caixa? Poderei eu gravar essas tuas palavras doces para poder colocá-las na tal caixa? E paralisar o sol para que iluminasse só o teu rosto? Será que eu posso guardar você nessa minha caixinha de lembranças? E te amarrar junto ao meu amor para que não te esqueças da tua importância?
Como então, guardarei esses teus olhos que insistem em sorrir para mim? Como guardar esse teu jeito maroto sem arrancá-lo de ti? De que jeito eu guardaria estas tuas mãos quentes na minha memória?Pergunto-me como guadar você nessa caixa, se tu insistes em permanecer em meu coração? E de que adianta guardar-te em meu coração se não estarás mais em meu horizonte? em minhas lembranças de jovem? De que adianta se tu não me deixa guardá-lo em lugar onde eu possa alcançá-lo?
E o que mais posso eu fazer, se não posso guardar-te e também não consigo esquecer-te?

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Alucinação de estação

No verão eu sou criança, sou menina, sou mulher num único dia de sol.
No inverno eu sou estranha, sou boneca de pano com longas tranças, sou o vento e o tempo.
No outono eu sou lembrança, toda a sinfonia de uma dança, toda a graça de uma folha.
Na primavera eu sou canção, um ritmo desconhecido como um borrão, e um cheiro de flor de estação.
De noite e de dia, eu sou como a fantasia dominando meu coração.
De um jeito ou de outro, no meu conhecimento eu sou somente como um instrumento.
Mas na minha imaginação eu sou apenas uma transição da realidade para a ficção. Será isso então, alucinação de estação?

Estranho e fora do padrão

Adolescente é uma espécie diferente, é um tipo de gente que tem jeito de carente. Que chora por causa de um dente e não liga pro amigo doente.
Adolescente é assim, grita e cala. Não sabe se fica, se casa ou se fala.
Adolescente é um caso sério, brinca de rir e faz mistério. Perde fácil seu jeito sério, dorme tranquilo só com remédio.
Adolescente não é maluco, só parece meio confuso, mas vive por aí jogando truco.
Adolescente é menina e é mulher, é boba, mas sabe o que quer. É adolescente que quando gama, fica louca e as amigas chama - meu Deus, me abana!
Adolescente não é homem, nem menino, na cabeça só tem pepino e no coração só cabe paixão. Quando ele sai, bebe e cai e no dia seguinte - minha cabeça, ai!
Por que adolescente é assim, não sabe se chega ou se vai, só fala besteira e briga com o pai. É de briga e é de boa, finge que não liga e fica a toa.
Adolescente é irado, com o mundo revoltado e quer atravessar o mar a nado.
Adolescente é contraditório, apaixonou e já quer casório, depois vai chorar no ombro do Seu Onório. Adolescencia é uma fase engraçada, quando a gente só da risada e nem sabe o porque.
Ser adolescente é de uma hora para outra, é piscar e beijar, mas não saber como explicar.
Adolescente é adolescer, ter a mania de não querer crescer, subir no muro e não saber descer.
Adolescente é esquisito, é engraçado e desunido. Quer rosa, quer rock; verde e pop, um pouco do rap e do funk, quer mesmo é político no palanque.
É adolescente, não gosta de fazer lista, empurra o amigo para a pista e as vezes parece autista.
Não tem vergonha na cara, bate no amigo da namorada e detesta gente chata.
Adolescente é bezerro e tem mania de ser leão, acha que sabe tudo e vive caindo no chão.
Na verdade, não tem jeito.. adolescente é igual jamanta, e teima que engorda depois da janta.
Porque adolescente mesmo é ser criança, fingir adulto só pra ganhar a liderança.
Adolescente é medo e coragem, é igreja e malandragem, típica vida de embalagem.
É assim e não muda, uma hora quer guerra, quer paixão. Quer moda e amor deverão. É assim, sem conserto, sem juízo e sem perdão, faz das tripas coração. E não adianta, porque adolescente é assim.. é estranho e fora do padrão.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Alguéns

Eu quero alguém que me chame pelo nome. Alguém que não tenha vergonha de dizer que me ama na frente dos outros. Alguém que faça questão de saber qual é a minha cor preferida. Eu quero alguém que pergunte como foi o meu dia. Alguém que me ligue só pra dizer "Oi". Alguém que segure o meu mundo quando ele desabar. Eu quero alguém que se interesse pelas minhas besteiras e manias. Alguém que faça por mim aquilo que nunca fizeram. Alguém que perceba quando eu não estiver bem, mesmo que eu tente esconder isso. Eu quero alguém que descubra meus segredos sem eu precisar dize-los. Alguém que me conheça melhor que eu mesma. Alguém que me faça sentir, me faça voar, me faça rir a toa. Eu quero alguém que vire meu mundo de ponta cabeça. Alguém que me faça querer gritar. Alguém para me emprestar seu casaco quando estiver frio. Eu quero alguém para me abraçar. Alguém que não diga apenas que meu olhos são lindos, mas que por alguma razão gosta de olhar para eles. Alguém que segure a minha mão quando eu estiver com medo. Eu quero alguém que me conquiste todos os dias, que me faça sentir sua falta, que me tire o fôlego. Eu quero alguém que não existe.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Eu gosto da luz. Gosto da claridade, do sol. Mas a não-cor me deixa solta, para eu poder pintar o mundo do meu jeito. Para poder ver o que as nuvens esconderam de mim.
A escuridão me tira do transe, não ofusca o brilho natural do mundo, não me engana e não ilumina apenas o que se quer iluminar, ocultando aquilo que se quer ocultar. A escuridão ma dá clareza para pensar, me permite ver as estrelas, exergá-las e segui-las; me traz de volta à superficie.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Todo o centro

Todos os dias, meses e anos. Todas as festas, comidas e besteiras. Todas os amigos, parentes e agregados. Todas as bebidas, risadas e fotos. Todos os tombos, tropeções e escorregões. Toda a história e a existência, partes da vida e as idiotices. Sorvetes, balões e bexigas. Avós, primos e tias. Sorrisos, brigas e alegrias. Batidas, amigas e calcinhas. Tapas, beijos e brincadeiras. Mas tudo com sua beleza. Todo o equilíbrio, a força e o desastre. Todos os vidros, taças e porcelanas. Todos os dedos, bochechas e barrigas. As dancinhas, cantorias e patifaria. Os cabelos, os olhos e o nariz. O vento, a folha e por que não a raiz? De dentro pra fora, e de fora pra dentro ... o que há de errado em ser o centro?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Por que?

Era uma tarde quente, sem nuvens no céu. Sentia-se a brisa do mar ora quente, ora fria; os pequeninos grãos de areia escorregavam pelos seus dedos. Ela não fazia idéia de como tinha chegado ali.. apenas fechava os olhos, e sentia seus cabelos voarem junto com o vento. Aqueles pensamentos vazios e as mesmas perguntas de sempre giravam em torno de sua cabeça: Por que?!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O mundo espera por você

Eles me dizem: vá devagar, sua criança louca. Você é tão ambiciosa para uma adolescente! Mas são tantas coisas a fazer, em tão pouco tempo. Eu quero ir, quero chegar mais perto de tudo que eu planejei , mas eu não sei bem por onde começar. As vezes o caminho é longo, e eu nem mesmo sei se é por aqui que quero seguir. Parece que é tão dificil achar uma estrada que se encaixe em você, apesar de saber que o mundo espera pos nós... por todos nós! Mas com todas aquelas pessoas te dizendo o que você deve fazer, e por onde deve ir. Por que eles insistem em dizer que você não vai conseguir? Porque eles sempre acham que só porque eles não alcançaram seus sonhos, você também não terá tudo o que sonhou? No fim, o tempo passa, e você só vê que não conseguiu fazer nada do que planejava, não realizou nenhum sonho... e que você chegou no mesmo lugar que muitas pessoas chegaram, mas não porque queriam chegar, apenas porque não foram capazes de lutar pelo que queriam! E você também ficou para trás... por que quando você queria ir, te impediram, e disseram que você sonhava alto demais... Afinal, você era ambiciosa demais para uma adolescente.